Pentacórdio para Sábado, 11 de Maio

por Rui Oliveira

 

 

         filme Romeu e Julieta     filme A Midsummer Night’s Dream     filme Falstaff 

   Se ontem e anteontem escolhemos abrir com a Culturgest e o CCB, demos hoje, Sábado 11 de Maio, a primazia à Gulbenkian, que mais não seja pela multiplicidade de eventos que aí se desenrolam.

   Tomemos então conhecimento de que o Serviço Gulbenkian Música propõe, em complemento do ciclo “Shakespeare na música”  − organizado (como já informámos) pelo maestro Lawrence Foster e que nesta Quinta/Sexta teve a sua primeira sessão −, uma minimaratona de cinema com quatro (de início, agora três) adaptações cinematográficas de referência, todas de entrada livre.

   Assim o dia começa às 11h, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, com Franco Zeffirelli e a sua versão de “Romeu e Julieta” (1968) com música de Nino Rota, tendo Leonard Whiting  (Romeu Montecchio) e Olivia Hussey  (Julieta Capuleto) nos principais papéis.

   Mostramos-lhe uma cena teatral lendária, a do balcão, legendada em português  e também um fragmento musical característico de Nino Rota :

 

 

 

   Segue-se às 15h, no Grande Auditório, a projecção de “A Midsummer Night’s Dream”, realizado em 1935 por Max Reinhardt e William Dieterle com música de Mendelssohn reorquestrada por Erich Korngold, interpretado por Ian Hunter (Teseu), Verree Teasdale (Hipólita), Hobart Cavanaugh (Filóstrato), Dick Powell (Lisandro), Ross Alexander (Demétrio), Olivia de Havilland (Hermia) e Jean Muir (Helena) nos papéis principais.

   Eis um excerto, com a música de Mendelssohn/Korngold como fundo :

 

 

   Uma pausa a meio da tarde permitirá ouvir, às 17h30 no Auditório 3, uma conferência do crítico Augusto M. Seabra sob o título “Shakespeare na música”.

 

   No fim do dia, haverá a exibição no Grande Auditório, às 18h30, dum filme do emblemático Orson Welles, o “Falstaff” de 1965, com interpretações de Orson Welles (Falstaff), Jeanne Moreau (Doll Tearsheet), Margaret Rutherford  (Mistress Quickly), John Gielgud  (Henry IV), Marina Vlady (Kate Percy) e Walter Chiari (Mr. Silence) e a narração feita por Ralph Richardson.. 

   Esta é a cena inicial com a seu acompanhamento musical de Angelo Francesco Lavagnino :

 

 

   Se o leitor quiser ver e ouvir um destes filmes, tem aqui (graças ao YouTube) de Franco Zeffirelli a película Romeu e Julieta (completa em versão dobrada em português do Brasil)  http://youtu.be/rd9xL2lqGR8

 

 

 

   Também no Sábado, 11 de Maio, a ida ao Maria Matos Teatro Municipal, às 22h, ouvir o músico norte-americano William Basinski será, diz o programador do MM, «receber um dos estetas sonoros mais cativantes deste século, num momento de feérica descoberta e reconhecimento».william basinski

   Ali será apresentado “Nocturnes”, o primeiro trabalho a solo de William Basinski em quatro anos, numa altura em que o seu reconhecimento atinge o mais alto patamar de sempre, após uma notável reedição da obra-prima “The Disintegration Loops” (2002-3), no ano passado.

   Essa peça, feita em quatro volumes exclusivamente pela manipulação de fitas áudio em degradação contínua, que por ter sido registada no fatídico dia do ataque às torres de Nova Iorque ficou até aos dias de hoje como uma das mais emocionantes elegias da tragédia, é o resultado dum “trabalho de paciente reconversão sonora assente numa exploração sensorial de composições ambientais, geralmente estruturadas em múltiplas camadas de loops minimais”.

   Para que o leitor anteveja a natureza do espectáculo, tem aqui a orquestração daquela peça pela The Wordless Music Orchestra :

 

 

 

 

   Muito diferente será o concerto que, às 21h deste Sábado, 11 de Maio, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, dará “um dos mais jovens e promissores pianistas da actualidade portuguesa (segundojulio resende o CCB)”, Júlio Resende, que estará acompanhado pelo contrabaixista Matt Penman. you taste like a song

   Depois do seu disco “You Taste Like a Song” editado com êxito em Fevereiro de 2011 pela Cleanfeed, apresenta-se no Centro Cultural de Belém, num espectáculo “Fado and Further” que viajará entre o jazz e o fado. Como Gonçalo M. Tavares escrevia há dias; « (…) neste concerto, sem voz, nesse lugar do meio, no centro, a levantar-se a partir do essencial, está o piano e, como existe caminho, avança-se».

   Ouça-se aqui o tema “Fado (Gaivota)” daquele álbum de 2011 :

 

 

 

 

sao-vicente-fora-orgao

sao-vicente-fora-orgao 1   Referindo agora outros eventos musicais eventualmente para públicos mais particulares, começaríamos por recordar que já retomaram na Igreja de São Vicente de Fora os habituais Concertos de Órgão mensais ao Sábado e que neste 11 de Maio, às costumeiras 17h, o organista é António Esteireiro, desconhecendo-se o pormenor do programa.

   Aquele reputado professor da Escola Superior de Música de Lisboa, ex-aluno dos mestres Franz Josef Stoiber (Regensburg) e Hans-Ola Ericsson (Bremen) irá tocar num órgão (o da Igreja de São Vicente de Fora) construído em 1765 por João Fontanes de Maqueira e que foi restaurado em 1994 por Claudio Rainolter e Christine Vetter, sendo um dos mais significativos instrumentos históricos da Europa.

 

 

   No Museu da Música, às 17h deste Sábado, 11 de Maio, há um recital do pianista italo-esloveno Miran Devetak que tem vindo a desenvolver uma carreira internacional a partir de Paris.

 museu da música miran devetak  Aluno de Igor Lazko no Conservatório Europeu de Paris e de Denis Pascal no Conservatório National, obteve o 1º Prémio no Concurso Internacional “Città di Moncaglieri” em Itália, bem como o 1º Prémio no Concurso Internacional “N. Rubinstein” em França.

   O seu programa consta de :

      Franz LisztAnnées de Pèlerinage – Deuxième Année, Italie : Sposalizio / Sonetto 47 del Petrarca / Sonetto 104 del Petrarca / Sonetto 123 del Petrarca / Après une Lecture de Dante / Fantasia quasi Sonata

      Gabriel Fauré  – Sixième nocturne

      Olivier Messiaen  –  Regard de l´étoile

      Claude DebussyLes soirs illuminés par l’ardeur du charbon, Brouillards, Ce qu’a vu le vent d’Ouest, L’ Isle Joyeuse

 

 

 

   Noutro Museu, o do Oriente, tem lugar, às 21h30 no seu Auditório, o espectáculo “Caixa de Pandora”, um concerto de Rui Filipe no piano, Cindy Gonçalves no violino e Sandra Martins no violoncelo.caixa de pandora

   Possuem (garante o programa) «um repertório próprio de música original, que orbita entre os ambientes de paisagens cinéfilas e a escultura sonora de estética contemporânea, criando um esfera de ficção auditiva, onde as imagens facilmente invadem a imaginação de quem se deixa levar pelas linhas dramáticas e aventureiras».

   Vários anos de projectos conjuntos dos três elementos (“RosaNegra”, “Sarrabulho”) resultam numa sólida construção de afinidades, motivando assim a apresentação de um repertório «que parece vindo de uma caixa mágica cheia de misteriosos e transcendentes momentos».

 

 

 

   Neste Sábado, 11 de Maio, às 22h30, vem ao Hot Club de Portugal, depois de em Abril ter estado na “11º Festa do Jazz” no São Luiz Teatro Municipal (como então noticiámos), o Nelson Cascais Decateto composto por Diogo Duque  trompete, fliscorne, Luís Cunha trombone, Nuno Cunha trompa, Gil Gonçalves  tuba, Ricardo Toscano sax alto, clarinete, Paulo Gaspar clarinete baixo, Federico Pascuci sax tenor, flauta, Óscar Graça piano fender rhodes, Nelson Cascais contrabaixo e composição e Bruno Pedroso bateria para apresentar o seu novo álbum na forja “A Evolução da Forma”, editado pela Sintoma Records.

   Eis o seu vídeo-anúncio :

 

 

 

 

   Entretanto no Onda Jazz, às usuais 22h30, teremos a nova voz dos “Madre Deus” Beatriz Nunes a estrear-se ali e a prosseguir a experiência do jazz com um “Beatriz Nunes Quarteto”, acompanhada por Luis Barrigas piano, Mario Franco contrabaixo e Jorge Moniz bateria.

   Dum dos seus ensaios em 2012 obtivémos este registo dum tema “3012” tocado no Be Jazz Café no Barreiro :

 

 

 

 

la famiglia 0

   No campo teatral, neste Sábado, 11 de Maio vão concluir-se no São Luiz Teatro Municipal os espectáculos que, sob o lema “O Teatro tem agora ele próprio de reflectir”, a produtora “Máquina Agradável” apresentou com o título global “Sobre um Palco desmontado”.  

   Assim, às 21h, no Palco da Sala Principal (repetindo-se no Domingo 12 à mesma hora) representa-se “La Famiglia”, com concepção e direcção de Lígia Soares e criação e interpretação de Andresa Soares, Hugola famiglia Amaro, Joana Gusmão, João Lucas, Lígia Soares e Pedro Inês. A concepção musical e sonora é de João Lucas e o desenho de luz de Dominique le Gué.

   Segundo o programa : “La Famiglia propõe envolver todos os intervenientes numa grande intriga e parodiar sobre as insondáveis motivações que levam cada indivíduo ora a actuar, ora a sentar-se num teatro à espera de algo extraordinário … Poder-se-ia afirmar que nesta peça a ficção reside somente no facto de fazer o público acreditar que este é imprescindível. Já que este é mesmo imprescindível, mas também não o é porque, até à chegada desse precioso momento em que está sentado frente ao espectáculo, ele foi sempre e não mais do que uma abstracção, uma convenção ou uma espécie de alter-ego da actividade artística”.

   Este foi o registo da sua apresentação em “Guimarães, Capital Europeia da Cultura” :

 

 

 

panorama   A sessão de encerramento do “Panorama 2013” decorre neste Sábado, 11 de Maio às 21h na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge onde serão mostrados, no âmbito da rubrica “Documentário no Cinema Novo”, três documentários de 1969 − “Almada Negreiros, Vivo, Hoje” (imagem), de António de Macedo, “27 Minutos com Fernando Lopes Graça”, de António-Pedro Vasconcelos e “Sophia de Mello Breyner Andressen”, de João César Monteiro  − que mostram as capacidades inovadoras de três (novos) cineastas que marcaram o Cinema Novo.

   Como se diz no programa : «Novo é também fazer diferente, experimentar, romper. Três novos cineastas fazem três novos filmes, onde um novo cinema deixa a sua marca. E aqui mostram como o retrato do artista é esse espaço para romper com o antigo, mostram como o papel da arte na sociedade nunca deixa de ser político».

 almada negreiros

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quinta aqui)

 

 

 

 

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