POESIA AO AMANHECER – 197 – por Manuel Simões

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       JOSÉ AUGUSTO DE CASTRO

                                                 (1862 – 1942)

PARA A LUTA

(Ao Povo Português)

                                               I

            Pátria! – Hóstia de luz, tantas vezes erguida

            sobre o altar da Mentira em sacrílegas mãos! –

            Quando hei-de ver-te grande e bela redimida –

            Consciência e sentimento, alva manhã nascida

            n’um céu sereno e azul sobre milhões d’irmãos?

                                               II

            Ouviu-se pelo espaço uma voz, soluçando,

            e que me disse: – «Espera!» E que me disse: «Crê»

            «Hás-de ver-me subir gloriosa, cantando

            um cântico d’amor e d’harmonia, quando

            brilhar por toda a parte a luz do A B C!…»

                                               III

            Mas, para que a luz brilhe, esplendorosa e forte,

            e a Pátria cante um hino astral de redenção

            é preciso que suba e o horizonte corte,

            indo de Leste a Oeste, indo de Sul a Norte,

            n’um estridor imenso, a voz da Rev’lução!…

Poeta de matriz decadentista, a sua voz tornou-se conhecida pelo compromisso político em defesa da República, de que é exemplo o volume “Para a Luta – Ao Povo Português” (1910). Também se salientou pelos seus escritos denunciadores da situação da mulher portuguesa, textos reunidos em “Pela Mulher – Cartas Íntimas” (1916).

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