Ó Samora Machel: antes mesmo da independência a tua aversão aos portugueses leva-te a mudar o nome de alguns locais e cidades. Lourenço Marques passa a ser Maputo, que é o nome do rio no extremo sul do país.
Nem todos os camaradas partilham dessa aversão. Por exemplo: Joaquim Chissano, primeiro-ministro instalado em Lourenço Marques (Maputo) não se cansa de publicamente apregoar que, para pretos e para brancos, a independência de Moçambique só trará vantagens.
Um mês antes da independência tu e os teus guerrilheiros, vindos da Tanzânia, entram em Moçambique pela fronteira norte. E conforme vão descendo para o sul, rumo à capital, com os teus discursos vais inflamando as populações negras contra a presença de brancos num país que é só vosso. Ou seja: um racismo às avessas que irá provocar a debandada dos quase 200 mil portugueses que vivem em Moçambique. A quem interessa esse racismo às avessas? A ti? Aos negros moçambicanos? Ou á União Soviética que aspira ser o esteio dum país recém-nascido?