EDITORIAL – NOVO MAPA PARA UM MESMO RUMO

Imagem2Estamos a preparar uma nova programação para o período do Verão que, embora não pareça, se avizinha. Desde que começámos a publicar este blogue, no Verão de 2011, que fazemos um grande esforço para não cair em rotinas e para ir renovando os conteúdos, começando novas rubricas, interrompendo outras, tentando através dos dados que possuímos ir correspondendo ao gosto dos visitantes, mas sempre na medida em que esses gostos se adequem aos nossos objectivos e procurando utilizar as estatísticas como instrumentos de trabalho, mas nunca nos escravizando aos números. Quer isto dizer que, mais do que obter números elevados de leituras, procuramos ser fiéis aos princípios enunciados. E o crescimento é lento, mas consistente.

Não abdicamos de defender as nossas causas, entre elas a da independência das colónias que subsistem na Europa, nomeadamente na Península que Portugal coabita com o estado espanhol. A Catalunha, a Galiza, o País Basco, têm o direito de ver as sua histórias, as suas culturas e, sobretudo, as suas línguas, respeitadas. Porém, o estado espanhol é um corpo híbrido onde convivem uma pseudo-modernidade a par com a herança de um passado recente, vergonhoso – o episódio franquista que prolongou o nazi-fascismo por trinta anos, após a derrota das potências do Eixo em 1945. Em artigo que publicaremos ainda hoje, Josep Vidal dá-nos conta de um facto absurdo – uma representante oficial do governo espanhol na Catalunha, homenageou publicamente a Divisão Azul – o contingente espanhol que lutou na Rússia e na Polónia ao lado dos exércitos nazis. Com este lastro ideológico, como nos havemos de admirar que a «raça superior», que anda pelos corredores do poder em Madrid, queira converter os idiomas nacionais em dialectos, a História e as tradições nacionais catalãs, galegas e bascas, em singularidades regionais potenciadoras do turismo espanhol? Por isso, a par com a atenção que dispensamos aos problemas da sociedade portuguesa, existe no nosso blogue um acompanhamento permanente das lutas de libertação nacional. Ontem, Dia das Letras Galegas, dedicámos uma parte importante da nossa edição a essa comemoração. Neste campo, falta-nos uma informação sobre a questão basca, similar à que temos sobre a Galiza e a Catalunha. Lá chegaremos.

A luta pela igualdade de gêneros, a difusão da leitura e, sobretudo, a denúncia sistemática das injustiças sociais, são temas estruturais deste blogue. Temas que abordamos em vários tons, com vozes diferentes. Digamos que tocamos todos a mesma música, mas que cada um a interpreta como acha melhor.

É uma desafinação muito afinada.

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