AINDA A CARTA A SALAZAR – O segundo signatário: Ramón Suárez Picallo

A carta que, em boa hora, António Gomes Marques trouxe ao conhecimento dos nossos colaboradores e visitantes e que temos tendência a designar por “carta de Alfonso Castelão a Salazar” tem dois signatários – Castelão e Ramón Suárez Picallo. Confessamos que nunca tínhamos ouvido falar nesta personalidade e após  consulta a uma enciclopédia, reunimos alguma informação básica – ponto de partida para um aprofundamento de uma biografia que deve ser muito interessante.

 Nasceu em Veloi, Sada, Corunha, em1894, falecendo em Buenos Aires no ano de 1964. Filho de uma família pobre de lavradores, foi o mais velho de onze irmãos. Sem quaisquerImagem1 estudos, emigrou para a Argentina em 1908 (com 14 anos), trabalhando em profissões humildes. Manteve, no entanto, um permanente contacto com os intelectuais da comunidade galega de Buenos Aires, adquirindo uma base cultural de raiz autodidáctica.

De regresso à Galiza, desenvolveu uma intensa acção política contra a ditadura de Miguel Primo de Rivera, sendo em 1931 um dos fundadores do Partido Galeguista. Já próximo dos 40 anos, obteve o diploma do ensino secundário, licenciando-se em Direito em 1935.

Dirigiu a revista  A Nosa Terra, órgão das Irmandades da Fala. Mas desta publicação falaremos em artigo específico.

Em 1936 foi eleito deputado pelo Partido Galeguista, sendo um dos mais activos impulsionadores do Projecto de Autonomia da Galiza. Estava em Madrid, integrado na Comissão encarregada de, nas Cortes, defender a aprovação do projecto autonómico, quando a rebelião fascista contra a República foi desencadeada. Esteve exilado em Nova Iorque, na Dominicana, no Chile, no Uruguai e na Argentina, onde se ocupou da cátedra de cultura galega  do Centro Lucense de Buenos Aires.

Com outros grandes intelectuais galegos, tais como Alfonso Castelão, António Alonso Rios e Elpidio Villaverde, integrou em Montevideu o Conselho da Galiza. Morreu em Buenos Aires, no Sanatório do Centro Galego, no dia 14 de Dezembro de 1964. Em Outubro de 2008, os seus restos mortais foram trasladados para o cemitério de Fiunchedo, em Sada, como foi desejo expresso de Ramón Suárez Picallo.

8 Comments

  1. muito oportuna pontualização, sobretudo para leitores a S da Raia: é bom que seja breve, e relativamente incisiva, e tb dum ponto de vista não galego, mas amigo…

    abraço,

    Carlos

  2. Era minha intenção dizer quem foi Ramón Suarez Picallo, nome para mim completamente desconhecido até ter tomado conhecimento da carta que, com Castelão, escreveu ao ditador Oliveira Salazar. Assim, posso partir para outra.
    Outros contributos serão, naturalmente, bem vindos, nomeadamente sobre personagens importantes na histórica luta pela autonomia da Galiza, alguns dos quais refiro na pequena biografia que fiz de Alfonso Castelão, contibutos que considero importangtes para que nós, portugueses, conheçamos melhor a luta da Galiza e que com ela nos possamos galvanizar para correr com a corja que nos governa, em Portugal e em Espanha. Seria uma bela luta galaico-portuguesa e uma excelente homenagem à memória de homens como Castelão e Picallo.

  3. Veja bem, caro António, os nomes históricos do galeguismo devem ser restaurados. Para mim é uma questão de respeito e coerência. Galegos não somos espanhóis, e não nos apelidamos “Suárez”, “Pérez” ou “González”, é Soares, Peres e Gonçales/Gonçalves. Por isso eu sou Rei e não “Rey” e por isso você é Gomes Marques e não “Gómez Márquez”. Afonso Daniel Rodrigues Castelão estaria de acordo.
    Grande abraço.

  4. Em todo o caso, minha estimada Isabel, tenho uma dúvida: Rámon deve dizer-se/escrever-se Ramão ou Raimundo?
    Não sou linguista e muito menos um especialista de português, procuro apenas escrever o melhor português, que nem sempre a escola, desde a primária à universitária, me ensinaram correctamente.
    Retribuo o grande abraço
    António

  5. Eu voto por Ramão. Raimundo é outra versão do nome. Eu sou Isabel, mas há quem é Sabela e há quem é Elisabete ou Elisabeta. Ele era Ramão. O restauro dos nomes não está exento de dúvidas e incertezas. Mas acho mais honrado enfrentar-se a elas do que deixar-se levar pelo castelhanismo dominante. Não lhe parece?
    Outro abraço maior.

  6. Isabel, minha querida amiga, democraticamente vota Ramão, eu voto Raimundo.
    Não sou filólogo, confesso a minha ignorância na disciplina e, quando assim é, procuro os mestres, onde sempre aprendo.
    Eis o que encontrei:
    «“Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa” – de José Pedro Machado (3 volumes)
    Editorial Confluência, Lisboa, 1984.

    Na página 1237 do volume 3:
    Ramão – Ant. alc. Creio tratar-se do aumentativo de ramo;

    Na página 1238 do volume 3:
    Ramon – Do esp. Ramon, antr. m., equivalente do port. Raimundo.»

    E assim está explicada a minha opção.

    Grande abraço

    António

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