EDITORIAL – CANTANDO E RINDO, SIM, LEVADOS, LEVADOS, NÃO.

Diário de Bordo - II

 

Nos tempos da ditadura, impunham-nos a Mocidade Portuguesa, entre outros petiscos. E esta santa instituição obrigava os meninos (e as meninas!) do liceu a andar com uma farda, e a comparecer no liceu para uma quantas actividades, entre as quais intermináveis marchas pelos pátios. Tinha que que se cantar um hino, que continha uma passagem espantosa, escrita obviamente por alguém que não prestava a menor atenção ao que fazia, ou que se calhar não percebia as voltas que se pode dar à linguagem corrente, e trocar-lhe o sentido. Exercício  este em que os portugueses são exímios, mesmo os menos letrados.

Ontem, no “Governo Sombra”, aquele programa da TSF que passa também na TVI, os três intervenientes, Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares, estabeleceram uma comparação curiosa. Fizeram notar que os protestos junto dos responsáveis governamentais, ultimamente são feitos cantando a Vila Morena, e há dias, rindo de Vítor Gaspar, quando este incensava Rogoff & Reinhart no lançamento do respectivo livro, cujos erros tremendos, de que os 99 % de todos nós são vítimas, já foram denunciados muitas vezes. O “Governo Sombra”  também fez notar que os autores dos protestos não estão a ser “levados, levados, sim,  pela voz de som tremendo”, que neste caso é a voz de Gaspar, em vez das tubas do hino fascista. Foi um achado curioso, e há que reconhecer que cai bem, até porque nas imagens aparece Gaspar, com um ar muito desanimado, com o ar de quem reconhece que a sua mensagem não está a passar. E talvez não tenha gostado de que o comparassem com os dignitários do tempo da ditadura. Mas será que realmente não gostou?

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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