A questão do estado liberal versus o estado social vem de há muito, não é de modo nenhum uma questão nova. Desde as doutrinas do laissez faire, laissez passer, as quais remontam aos fisiocratas, e mesmo anteriormente, aos tempos de Colbert, que se discute se é melhor o Estado privilegiar a iniciativa individual, não a impedindo ou até apoiando-a, ou pôr à frente os interesses da maioria, assegurando que todos possam ter acesso a serviços públicos que assegurem a educação, a saúde, a habitação, o emprego, etc. Nos chamados países ocidentais tem predominado até certo ponto a segunda visão, o que contribuiu poderosamente para o papel que têm desempenhado no mundo. Tem predominado, mas não totalmente, nem nada que se pareça, acentue-se. Internamente, alguns deles asseguraram paz social (o equilíbrio social não, como aliás está à vista) e estabilizaram-se numa certa relação de forças ao nível interno, mas internacionalmente campeiam a violência, a miséria, a sobreexploração.
Um aspecto muito falado, mas que não parece conhecer melhorias, é o da relação íntima entre os governos e os grandes interesses económicos. Vale a sempre a pena fazer análises sectoriais, que permitem conhecer como se processam. Veja-se o caso dos OGM – organismos geneticamente modificados, que estão presentes na economia, sobretudo na agricultura, por exemplo, no cultivo do milho e da soja. As multinacionais como a Monsanto (há outras) controlam este mercado, para utilizar uma expressão consagrada. E contam com o apoio dos governos, com o norte-americano à cabeça, na sua acção. Veja-se a notícia do Le Monde:
O problema dos OGM é muito complexo. Se por um lado podem contribuir para aumentos de produção, por outro, há que levar em conta haver grandes dúvidas sobre os seus efeitos nos restantes organismos biológicos e na saúde pública. E há outros aspectos que são inaceitáveis, como o problema da propriedade das sementes, pondo-se em dúvida que os pequenos agricultores possam sobreviver economicamente, caso se dediquem a cultivá-los.
Estas questões não esclarecidas não obstam a que a Comissão Europeia pressione os países europeus que se têm escusado a aceitar os OGM no seu território no sentido de alterarem as suas políticas.

