PARAÍSOS FISCAIS: O QUE É REVELADO POR “OFFSHORELEAKS”

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

offshoreleaks

 

Copyright Reuters, latribune.fr | 04/04/2013, 15:22 – 551 palavras

Excertos de uma lista de personalidades que detêm contas ou interesses em paraísos fiscais foram publicados pelo Le Monde e The Guardian. Aqui estão as principais lições desta verdadeira praga no capitalismo moderno, os paraísos fiscais .

Nova explosão em pleno escândalo Cahuzac em França. Esta lista extraída de documentos fornecidos para os jornais Le Monde e The Guardian obtida por uma associação de jornalistas americanos chega a salpicar até o Presidente francês. Inclui nomes de personalidades que têm interesses em paraísos fiscais. Eis aqui as lições que se podem tirar .

• Quem é citado?

Muitas personalidades estão citadas nesses documentos, além de Jean-Jacques Augier, um familiar próximo de François Hollande. Entre eles: um antigo ministro das finanças da Mongólia, Bayartsogt Sangajav. De acordo com estes documentos, ele montou uma empresa com uma conta na Suíça entre 2008 e 2012. Ele reconheceu que teria feito um erro em ” não ter declarado”. Aliás, na Ásia, o Presidente do Azerbaijão também foi citado. As listas contêm o nome das suas filhas, proprietários de entidades localizadas em Ilhas Virgens Britânicas.

Outros nomes mencionados: Olga Shuvalova, a esposa de um ministro russo, Tony Merchant ex-político e marido de uma senadora canadiana, Maria Imelda Marcos Manotoc, a filha do ditador filipino Ferdinand Marcos, Carmen Thyssen-Bornemisza, coleccionadora de arte espanhola, Denise Rich, antiga esposa do americano do petróleo Tycoon Marc Rich que tinha sido amnistiado por Bill Clinton quando ele estava a ser acusado de evasão fiscal.

São também referenciados uma dezena de territórios conhecidos pela sua flexibilidade regulamentar e pela opacidade dos seus sistemas financeiros. Entre eles: Ilhas Virgens Britânicas ou as Ilhas Caimão .

De onde vêm esses documentos?

 Cerca de 2,5 milhões documentos, incluindo cerca de 2 milhões de e-mails foram compilados. Eles têm a ver com pessoas que trabalham em centenas de empresas em todo o mundo. Uma equipa de 86 jornalistas de 46 países têm então estado a trabalhar sobre estes documentos ao longo de mais de 15 meses, em especial graças a programas de computador especiais que permitem retirar as informações mais pertinentes…

  • Qual a relação com o caso Wikileaks?

Nenhuma, a não ser o método. Estas revelações já foram apelidadas ” offshore leaks”, ou “offshore secret “. Uma referência ao famoso site de Julian Assange que teve transmissão de milhares de documentos diplomáticos confidenciais. Da mesma forma, a tarefa de classificar e de reagrupar as informações contidas nesses documentos foi confiada aos jornalistas, depois difundidas por alguns meios de comunicação escolhidos com antecedência. Na França, o Le Monde pode receber uma lista de 130nomes, conforme o relata a jornalista Anne Michel. Noutros lugares, outros jornais também têm estado associados com o projecto, como o Washington Post nos Estados Unidos e o Asahi Shimbun.

• Quais são as consequências desta publicação?

Eles serão provavelmente de ordem jurídica. Compete às autoridades fiscais dos países cujos nacionais foram convocados para assegurar a investigação, verificar se houve fraude. E isso poderá levar anos, especialmente quando se trata de pedir contas em jurisdições onde não é hábito cooperar… Mas já o governo grego anunciou a abertura de um inquérito sobre 103 empresas offshore, citada pelo diário Ta Nea.

O caso recorda também que após a crise financeira de 2008 e 2009, o anátema já tinha sido lançado contra os paraísos fiscais. Os países do G20 haviam anunciado medidas para lutar contra este sistema e a OCDE tinha preparado uma ‘lista cinza’ e uma ‘lista negra’. O facto de mostrarem algumas dessas centenas de entidades offshore vem relançar o debate.

La Tribune, Offshoreleaks, Paradis fiscaux: ce qui est révélé par les “Offshore leaks”

Leave a Reply