Um Café na Internet
Diaí Nambikuára, índio brasileiro mas formado em Sociologia, diz-me em Lisboa:
– Curupira é o espírito maligno da mata, equivalente ao vosso Diabo. Ser disforme, de grandes orelhas, calvo, com as pernas às avessas, calcanhares para a frente e dedos para trás. Marcha com firmeza do abismo para a vida. Por causa das pegadas invertidas, quem pensa seguir-lhe a pista, acaba por cair no tal abismo ou noutra qualquer arapuca.
– Arapuca? O que é isso?
– Armadilha.
– Estou a ver, mitologia indígena…
– Não só indígena…
– Vai desculpar-me, mas o que é que isso tem a ver com a Europa?
Diaí Nambikuára abre os braços, sorri, diverte-se:
– Você acha que não tem? Então me diga uma coisa: não foi o Curupira que vos atraiu desde o “ama o próximo como a ti mesmo” até aos autos de fé da Inquisição? Não foi o Curupira que vos atraiu desde o comunismo, bem comum, até ao desterro e às matanças do Goulag? Não foi o Curupira, esse diabo, que invadiu e destroçou os vossos Paraísos? Se não, então quem foi?
Também sorrio, não sei o que responder…


Ador�vel ….que sensacional lembrete …. Obrigada . Tenho muita pena de n�o ter pedalada intelectual para partilhar …..embora leia atentamente ….e v� reaprendendo …ser reformada n�o significa “conformada ” com a recta final da vida ,cair no indeferentismo para com outros saberes ….a vida n�o p�ra e se n�o p�ra ,h� que estar-se atento �s mudan�as embora com as limita��es que lhe s�o criadas a n�vel pol�tico ,econ�mico e social . Cordeais cumprimentos Maria S�