EDITORIAL: A GUERRA NA SÍRIA QUE EFEITOS TERÁ?

 

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A guerra na Síria dura já há mais de dois anos. Tem passado por diversas fases, sendo óbvio que grande parte da população síria, talvez mesmo a maioria, é alheia às razões do  conflito, embora sofrendo pesadamente os seus efeitos. Entre essas razões parece estar a questão religiosa, sendo que Assad e a sua família pertencem a uma minoria dentro do Islão, os alauítas, que representará cerca de 10 % da população  total do país. Os alauítas  têm-se aliado aos xiitas, ramo  do Islão dominante no Irão, muito numeroso no Iraque e que também conta com importante representação na Síria. Opõem-se tradicionalmente aos sunitas, maioritários na Síria e fortemente apoiados por outros países, como a Arábia Saudita. É de destacar a presença no terreno com participação muito activa, ao que parece, da Al-Qaeda.

Entretanto a França e o Reino Unido querem começar a abastecer os rebeldes (o Exército Livre da Síria, como se auto-intitulam) em armamento, em escala considerável, tendo sido levantado o embargo que a União Europeia tem vindo a observar neste capítulo. Os EUA parecem apoiar esta iniciativa, embora sem se quererem envolver directamente, pelo menos para já. Israel já fez várias intervenções pontuais no conflito, e sem dúvida que no futuro quererá influenciar cada vez o seu decurso, até porque os combates já alastraram ao Líbano. A Turquia mantém-se expectante, entre outras razões porque tem o problema curdo entre mãos.

As potências europeias, França e Reino Unido, (curiosamente neste assunto a Alemanha não parece interessada em vir para a primeira linha) parecem um papel de primeiro plano. Contudo é claro que não têm o poderio militar, nem a experiência dos EUA nestas matérias. Há que considerar, por um lado, que o seu envolvimento no conflito, obedece a um objectivo estratégico que é o enfraquecimento do Irão, de modo a, no futuro, conseguirem o envolvimento da Rússia e uma presença forte na Ásia Central. Este regresso em força a uma actuação imperialista poderá mesmo ter outros objectivos, como um empolgar das populações das outrora grandes potências perante inimigos exteriores, de modo a possibilitar uma maior aceitação pelas pessoas das políticas austeritárias (ou austerianas, se se preferir o termo apreciado por Paul Krugman). Veja-se a este respeito o ar militarista assumido por François Hollande, desde que se tornou Presidente.

O recente incidente ocorrido no Reino Unido, em que eventuais extremistas islâmicos assassinaram um soldado que combateu no Afeganistão, veio acirrar os ânimos. Será que poderá representar mais um passo no incendiar de um conflito muito alargado, com aspectos de racismo e perseguição particularmente odiosos?

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