Um Café na Internet
O desastre: aproveitando as pesquisas do labirinto do Estreito a San Antonio desertou, sedição. Justamente a nave melhor abastecida… Sem víveres garantidos será temeridade prosseguir. Não vacila o Almirante Fernão de Magalhães: ordena a travessia! Coage os outros dois comandantes a declarar, por escrito, que a decisão é conjunta.
Dias e dias e o sol a castigar. O balançar monótono, a comida e a água que apodrecem, a caça às ratazanas que serão assadas, pústulas a rebentar, os olhos encovados, as gengivas a sangrar, o escorbuto. Fernão de Magalhães pensa já ter ultrapassado a ilha de Cipângu (Japão) e está apenas a um terço da viagem… Começa a revelar-se o segundo erro dos cálculos de Faleiro: por ter roubado 1/3 ao diâmetro da Terra, reduziu a uma insignificância o Pacífico, justamente o maior dos Oceanos…
A 6 de Março de 1521 avistam uma ilha luxuriosa. Nativos sobem a bordo, algazarra e alegria. Deitam a mão ao que podem. Cortam a amarra do escaler da Trinidad e conduzem-no para a praia. Magalhães não pode consentir em tal. Com os seus homens desce a terra. Alguns tiros de pólvora e põe os nativos em fuga. Os marinheiros apanham galinhas e frutas, matam a fome de cem dias. Renovam as provisões, enchem os barris com água fresca. E partem. Para trás fica a Ilha dos Ladrões.
Uma semana depois avistam outra ilha. Fernão pensa que será uma das Malucas (Molucas, no futuro). Já pensa abraçar, em breve, o seu amigo Serrão. Engana-se. Acaba de descobrir um novo arquipélago a que dá o nome de S. Lázaro. Mais tarde será crismado de Filipinas, em homenagem a Filipe II de Espanha.

