EDITORIAL: O JULGAMENTO DE BRADLEY MANNING

 

Diário de Bordo - II

Ontem começou o julgamento do soldado norte-americano Bradley Manning.  É acusado de ter passado informações ao inimigo, de ter infringido os regulamentos militares, pois sendo soldado entregou uma grande quantidade de documentos ao Wikileaks. Bradley Manning admitiu que muitas das acusações são verdadeiras, mas contesta que o tenha feita para apoiar um qualquer inimigo dos EUA.

Bradley Manning esteve no Iraque como militar. Foi aí que se apercebeu da violência que as intervenções militares norte-americanas constituem para as populações dos países onde elas têm lugar. Quem quiser ter uma ideia do drama pessoal de Manning e dos problemas de consciência que intervenções militares constantes podem causar a quem nelas participa, sem ser através dos canais oficiais e da grande informação, cujos condicionamentos são do conhecimento geral, veja na internet em http://www.bradleymanning.org.

O Estado norte-americano, as suas forças armadas, o establishment em geral, mesmo o dominante noutros países, querem condenar Bradley Manning sobretudo para que constitua um exemplo. Atribuir-lhe o estatuto de dissidente, de objector de consciência ou parecido, não querem admitir de maneira nenhuma, porque isso seria admitir, ou pelo menos tolerar de algum modo, a ideia de que as intervenções militares no estrangeiro, pedra de toque do princípio da manutenção da supremacia militar sobre o resto do mundo, são contestáveis. Contestáveis inclusive à luz de princípios que são invocados pelos seus promotores, como os direitos humanos, a liberdade, a chamada civilização ocidental. Isso os poderes estabelecidos não querem aceitar. Temos de procurar acompanhar de perto Bradley Manning.

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