Ficai descansados: não vou referir a troca que alguém fez ao atribuir a Montanha Mágica a Thomas More ou a Utopia a Thomas Mann. Vou apenas deixar uma nota de homenagem a este último, prémio Nobel de 1929, por muitos considerado o maior escritor do Século XX.
Foi num dia 6 de Junho que, em Lübeck nasceu Thomas Mann – um alemão que – tal como Goethe, Beethoven ou Bertolt Brecht – destrói as generalizações que às vezes somos tentados a fazer sobre o povo alemão, generalizações abusivas, mas que exemplares como Angela Merkel potenciam. O rigor germânico que em Goethe, Bach ou Thomas Mann, cresce em geniais volutas de harmonia, nos seres menos dotados explode em tiques maníacos e em obsessões aritméticas que conduzem à solução final, orquestrada por Goebbels ou à austeridade cega de Merkel e dos seus apaniguados europeus. Aí temos o esplendoroso rigor germânico, tansformado em forno crematório ou em Banco Europeu de Investimento e em troika…
Falemos de Thomas Mann.
Já aqui tive ocasião de referir o encantamento que rodeou a releitura de A Montanha Mágica, que tinha lido na adolescência e que por mais de meio século a memória foi mitificando. Contei como temi a desilusão que muitas vezes nos invade quando revisitamos lugares da nossa memória e somos confrontados com realidades medíocres que o tempo foi cobrindo com camadas sedimentares. A leitura que entretanto fui fazendo de outras obras suas, ajudaram a aumentar a expectativa por uma releitura que, por uma razão ou por outra, só veio a concretizar-se há relativamente pouco tempo, motivando o tal texto. – “O Regresso à Montanha Mágica”:
Mas fui lendo livros como Morte em Veneza, onde a homossexualidade latente de Mann, ainda que sublimada, transparece; Os Buddenbrook, que nos permite compreender a Europa que iria ser palco de duas guerras mundiais; As Confissões de Felix Krull, Cavalheiro de Indústria que decorre em boa parte numa Lisboa que apaixona um Felix Krull que hoje diríamos ser bipolar e sem escrúpulos – aquilo a que se chama um tipo pragmático, envolvido numa paixão por uma mulher que odeia o amor.
Milan Kundera disse que, de certo modo, todos os romances são autobiográficos. A obra de Thomas Mann, não podendo considerar-se autobiográfica, traça-nos um mapa do universo rico de contrastes, contradições, que existia dentro deste escritor que nasceu num dia 6 de Junho, há 138 anos. A utopia, a ilha de serena reconciliação connosco, com as nossas limitações – todos procuramos esse território. Alguns, como Thomas Mann, encontram-no. E deixam-nos mapas indicando o caminho. Assim os soubéssemos descodificar.
Thomas Mann é um escritor magnífico e está muito bem homenageado por Carlos Loures. Apenas acrescentaria, entre suas obras maiúsculas, a “biografia” de Adrian Leverkuhn, o trágico personagem de seu genial DOCTOR FAUSTUS.
Também sou leitora voraz de Mann. Por isso, gostei de vê-lo lembrado em seu aniversário.
Rachel Gutiérrez
Alemães? Bethoven era da Renânia; Wagner era da Saxónia; Leibnitz era da Saxónia; Hegel era de Wurtenberg; Nietzsch era da Turingis;Goethe era de Hesse; Schiller era de Wurtenberg; Engels era da Renânia; Kant era da Prússia; Marx era da Prússia etc,etc,etc Talvez os prussianos possam cognominar-se de alemães mas, qualquer deles e todos, a não quererem aceitar as suas autenticas Nacionalidades – uma vergonha – serão são, tão-somente, germânicos.CLV
Que história é essa, CVL? Daqui a pouco me dirás que Pirandello não era italiano. Na realidade, gênios, como Mann e Beethoven, pertencem ao mundo. Vale lembrar que a mãe de Thomas Mann era portuguesa. Um abraço.
Creio que o Carlos Leça da Veiga diz é que Goethe (1749-1832) e Beethoven(1770-18279) não tinham nacionalidade alemã., porque a Alemanha, ou seja o Império Alemão, foi criada em 1871. Porém, não é assim tão errado falar de Alemanha, se considerarmos que desde 1815 existia uma Confederação Alemã. Para não falarmos no Sacro-império que, fundado por Otão I em 962, se manteve até 1806. Quanto a Bertolt Brecht (1898-1956), teve indubitavelmente nacionalidade alemã. No entanto, do que se fala no artigo é menos da nacionalidade formal, aludindo-se mais ao «espírito germânico», ao método e rigor que, para o bem e para o mal, lhe são característicos.
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Obrigado pelas explicações. A formação do estado moderno na Europa sempre nos confunde. Veja o caso da Espanha, “unificada” pelos Reis Católicos em 1492. Quinhentos anos depois, regiões inteiras, como a Catalunha, se declaram autônomas e rebeldes. Um abraço.
Thomas Mann é um escritor magnífico e está muito bem homenageado por Carlos Loures. Apenas acrescentaria, entre suas obras maiúsculas, a “biografia” de Adrian Leverkuhn, o trágico personagem de seu genial DOCTOR FAUSTUS.
Também sou leitora voraz de Mann. Por isso, gostei de vê-lo lembrado em seu aniversário.
Rachel Gutiérrez
Alemães? Bethoven era da Renânia; Wagner era da Saxónia; Leibnitz era da Saxónia; Hegel era de Wurtenberg; Nietzsch era da Turingis;Goethe era de Hesse; Schiller era de Wurtenberg; Engels era da Renânia; Kant era da Prússia; Marx era da Prússia etc,etc,etc Talvez os prussianos possam cognominar-se de alemães mas, qualquer deles e todos, a não quererem aceitar as suas autenticas Nacionalidades – uma vergonha – serão são, tão-somente, germânicos.CLV
Que história é essa, CVL? Daqui a pouco me dirás que Pirandello não era italiano. Na realidade, gênios, como Mann e Beethoven, pertencem ao mundo. Vale lembrar que a mãe de Thomas Mann era portuguesa. Um abraço.
Creio que o Carlos Leça da Veiga diz é que Goethe (1749-1832) e Beethoven(1770-18279) não tinham nacionalidade alemã., porque a Alemanha, ou seja o Império Alemão, foi criada em 1871. Porém, não é assim tão errado falar de Alemanha, se considerarmos que desde 1815 existia uma Confederação Alemã. Para não falarmos no Sacro-império que, fundado por Otão I em 962, se manteve até 1806. Quanto a Bertolt Brecht (1898-1956), teve indubitavelmente nacionalidade alemã. No entanto, do que se fala no artigo é menos da nacionalidade formal, aludindo-se mais ao «espírito germânico», ao método e rigor que, para o bem e para o mal, lhe são característicos.
Obrigado pelas explicações. A formação do estado moderno na Europa sempre nos confunde. Veja o caso da Espanha, “unificada” pelos Reis Católicos em 1492. Quinhentos anos depois, regiões inteiras, como a Catalunha, se declaram autônomas e rebeldes. Um abraço.
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