REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

A desvalorização ou o caos

Texto recolhido no site de reflexão política  L’Espoir, cujo endereço é o seguinte:  http://lespoir.jimdo.com/

desvalorizaçãocaos

Para a imprensa unânime, entenda-se, uma saída do euro saldar-se-à   por um cataclismo económico. Para aqueles que seriam condenados a sair da zona, os que seriam “deixados  à beira da estrada”, seria necessário  desvalorizar e então – é com um aperto de garganta e um pensamento secreto  para o curso trágico da história humana que o jornalista  o afirma  – o país em questão entraria em colapso.

Isso seria um problema em si fascinante para se estudar a eficácia da persuasão pelo  medo e como ele é sistematicamente utilizado  – do voto  para a Constituição Europeia até aos planos de austeridade  – para assim  impor  o neoliberalismo em populações que ele tão  manifestamente tem estado a empobrecer e assim quer continuar a fazer.

Mas na verdade o medo da saída do euro é apoiado sobre bases  teóricas fracas. Provavelmente porque os pseudo-críticos  têm  estudado bem mais  a questão  que os defensores da moeda única  que se esforçam para defender o seu federalismo  autoritário orçamental.

Com exclusão de um obscuro  estudo  da UBS, um banco suíço, que  prevê  a recessão prolongada em caso de desvalorização, nada tem sido estudado pelos defensores da moeda única.

Nesta área, como em muitos outras, ainda, a simples observação dos factos históricos pode dar respostas mais concretas do que a especulação intelectual.

8 países durante a crise nos anos  30

A crise de 29 provoca, em suma, uma recessão  generalizada nos anos  31-32, mas na década seguinte não é um período de crise para todos os países, muito longe disso.

Na verdade face à queda  no comércio, os países  sentem-se  obrigados a reequilibrar os seus défices  público  externo. Eles têm duas opções:  a deflação (externa) ou a desvalorização do salário (deflação interna) .

Contra todas as  expectativas,   a Nação da livre-troca e do capitalismo desenfreado, a Inglaterra, atolada numa crise desde  há 10 anos, ultrapassada pelos seus concorrentes e privada de seu status de primeira potência mundial, toma uma decisão de choque: desvaloriza a libra esterlina em 21 de Setembro de 1931.

Abaixo mostra-se o cataclismo consequente,  (em azul o nível do PIB antes da desvalorização, em vermelho depois da desvalorização):

desvalorizaçãocaos - IIA desvalorização na Grã-Bretanha

A  Grã-Bretanha vai na verdade passar por um boom económico e industrial   ao longo dos anos trinta.

Mas um exemplo não faz a lei.  A  Suécia, igualmente muito  industrializada  toma a mesma decisão 8 dias depois  e desvaloriza a coroa sueca.  Sem dúvida o famoso colapso  económico poderá aparecer então claramente, mais claramente? (em amarelo o nível do PIB antes da desvalorização, em azul depois da desvalorização)

desvalorizaçãocaos - IIIA desvalorização na Suécia

Os resultados obtidos são equivalentes,  anos trinta rimam com crescimento para os suecos.

No entanto, talvez chocados  com as catástrofes anunciadas, digamos mesmo, intrigados  com esta coincidência perigosa entre desvalorização e retorno ao crescimento no seio de  um mundo atingido  pela crise em todos os lugares, os Estados Unidos por sua vez abandonam  o rigor dos planos de Herbert Hoover e desvalorizam  o dólar em 6 de Março de 1933. Aqui está o resultado (o PIB de antes da desvalorização marcado a azul, marcado em  branco depois da desvalorização):

desvalorização - IVA desvalorização dos Estados Unidos

Sempre o mesmo tipo de resultados.

(continua)

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