CARTA DE PARIS – Pintura italiana no museu de l’Orangerie – por Manuela Degerine

Já ouviu falar de Giuseppe Abbati, Giovanni Boldini, Odoardo Borrani, Vicenzo Cabianca, Adriano Cecioni, Giovanni Fattori, Silvestro Lega, Telemaco Signorini, Frederico Zandomeneghi?… São emImagem1 Itália designados pela palavra “Macchiaioli”. “Macchia” é a mancha… Estes artistas buscavam novas formas de expressão e, não só o contacto com a escola de Barbizon, durante a Exposição Universal de Paris de 1855, mas também as viagens a Itália de Edgar Degas, Edouard Manet e James Tissot reforçaram a sua reflexão.

A pintura italiana do século XIX sai dos ateliers com os Macchiaioli. Interessa-se por realidades que não eram consideradas artísticas, homens a puxar um barco, mulheres com molhos de lenha: corpos marcados pelo trabalho e pela pobreza. Representa cenas da vida quotidiana: uma rapariga toca piano e duas cantam, a criada leva café às senhoras, uma mulher isola-se para ler a carta… Ou Garibaldi e as batalhas do “Risorgimento”: atualidade militar, política, patriótica na qual alguns destes pintores se envolveram. Ou simples paisagens: poisando um olhar novo numa terra antiga e assim limpando a camada de pintura clássica que a escondia.

Estes artistas inovam igualmente através dos formatos, através dos suportes, pintando – por exemplo – sobre madeira e tirando partido da disposição das fibras vegetais e irregularidades da tábua, através de enquadramentos inesperados, através da cor, da luz e da sombra, através das pinceladas que inspiraram o nome: “Macchiaioli”. Uma alcunha que eles passaram a reivindicar.

Reuniam-se no Caffè Michelangiolo de Florença e tiveram como defensor Diego Martelli; o qual os acolheu na sua propriedade de Castiglioncello, o qual contribiu, através dos seus textos, para dar ao grupo uma estrutura teórica e uma visibilidade coletiva. O qual eles retrataram.

Compreendemos quanto esta pintura possui de italiano e europeu. Na última sala são projetadas imagens de “Senso” de Luchino Visconti cujos espaços citam quadros dos Macchiaioli; a pintura destes artistas dá-nos hoje a ver – e compreender – aquela época. Para descobrir em Paris, no museu de l’Orangerie, até 22 de julho de 2013.

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