REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota 

A desvalorização ou o caos

Texto recolhido no site de reflexão política  L’Espoir, cujo endereço é o seguinte: http://lespoir.jimdo.com/

desvalorizaçãocaos

(conclusão)

Depois de um período de continuada lira forte, Benito Mussolini, por sua vez, compreendeu  a necessidade de desvalorizar, e a Itália   fá-lo um ano depois, a   28 de Abril de 1934 (a vermelho   está o PIB antes da desvalorização, a verde está o PIB depois da desvalorização):

desvalorização - VA desvalorização da Itália

Sejamos bons colegas para com os nossos colegas liberais, guardiões da estabilidade da moeda e de   outros conspiradores “das horas sombrias da história”, e admitamos então  que os gráficos anteriores são devido a uma pura e simples coincidência, são fruto de um espectacular acaso.  Ser-nos-à necessário mostrar o caso de países que não têm desvalorizaram  e que tiveram  uma   “boa gestão das finanças públicas”. Um tal exemplo – pois bem – esse, existe. É a França, que, sob a influência do  seu grande homem, corajoso e impopular tanto quanto se possa imaginar,  que designei como Pierre Laval, tinha escolhido o rigor e rejeitou  o franco fraco.

O nosso país foi pouco mais ou menos  o último a desvalorizar em 2 de Outubro de 1936, e aqui está o resultado: (antes da desvalorização o PIB está marcado a vermelho e está marcado a  vermelho depois da  desvalorização).

desvalorização - VIA década perdida  em França

Enquanto que  todos os seus principais concorrentes  se tinham colocado muito mais cedo  numa trajectória de crescimento  em boa parte graças à expansão monetária,  a França, pela obstinação estéril, perdia  terreno e enfraquecia a   sua indústria depois de a ter desenvolvido fortemente  na década de 1920,  apenas a alguns anos de uma guerra que seria principalmente uma guerra industrial. Mede-se   a sabedoria das palavras de Wauquiez  que exclamava nessa altura ou nunca: “se tivéssemos seguido as boas políticas dos anos  30 anos (entenda-se a austeridade) em vez de nos sentirmos abrigados da crise, não teria conhecido a má situação que vai continuar nos anos 40.” Está-se a pensar reescrever a História?

No entanto esta estagnação pode ser devida afinal  ao tão  terrível modelo social  francês, que, como todos sabem, está na  origem da  incurável fraqueza da  nossa economia.  Admitamos, vejamos agora  um país reputado como sério e  que  desvalorizou  mais tarde e observemos  os resultados. A Suíça industrial e também anti-inflacionistas  fornece-nos  um excelente teste, ela que desvaloriza a 27 de Setembro de 1936: (em vermelho a evolução do PIB antes da desvalorização,  em branco  está a evolução do PIB depois da  desvalorização):

desvalorização - VIIA década perdida   na Suiça

O resultado, na verdade, é sempre do mesmo tipo, é o mesmo.

Finalmente, considere o caso de dois países europeus menos industrializados, cuja economia depende mais da agricultura e em que políticas monetárias foram diferentes: a Hungria e a Polónia.

 A Hungria desvaloriza no início da crise, antes mesmo da  Grã-Bretanha em 1931 (em azul está a evolução do PIB antes da desvalorização, em vermelho a correspondente  evolução do PIB depois da   desvalorização).

desvalorizaçãocaos - VIII

A desvalorização na Hungria

A Hungria conheceu a situação de crescimento económico nos anos trinta.

A Polónia  pelo seu lado  só  desvaloriza   em  1936 (a branco está assinada a evolução do PIB antes da  desvalorização, a vermelho está assinalada a evolução do PIB depois da desvalorização esta assinalada a evolução dlo PIB depois da desvalorização):

desvalorizaçãocaos - IXA década perdida  na Polónia

 Os frutos desta política: a estagnação, invariavelmente.

A cegueira  que até  revolta 

Na verdade, nós vemo-lo,  é o rigor que cria a estagnação e a desvalorização cria o crescimento. Keynes identificou  o papel decisivo das moeda para alguma coisa: ele viveu num mundo onde a  sua óbvia importância  era cada dia mais visível .

Hoje,  as desvalorizações  argentina   e russa, pelo crescimento que  suscitaram  e logo nos dois primeiros anos  e  a lista infinita dos  planos  de rigor que na melhor  das  hipóteses   levam  à estagnação e na pior das hipóteses a serem altamente recessivos trazem-nos outras ilustrações  do verdadeiro  papel da moeda e das consequências da deflação. No entanto o discurso oficial parece não ter em conta estes factos e repete ao infinito  o mesmo refrão: a desvalorização levou ao colapso económico.

Esta teimosia a não ver  os fatos, só  pode ser o produto de duas coisas: de uma loucura colectiva ou da manipulação da História.

 Que a manutenção do sistema monetário da zona  euro no futuro seja  num ou noutro destas duas taras , é o que nos   deve levar a ficarmos inquietos. Ninguém vai salvar o neoliberalismo sem corrigir os seus dogmas, mas para que  desastres nos  levarão  as tentativas  que  implacavelmente o tentam manter  ?

Trémarec, La dévaluation ou le chaos, Site l’Espoir, cujo endereço é o seguinte: http://lespoir.jimdo.com/

Fontes:

Sur les niveaux de PIB:

Angus Maddison, The World economy, Volume II: Historical statistics

Sur les dates de dévaluation:

-Paul Bairoch, Victoires et déboires, Histoire économique et sociale du monde du XVIème siècle à nos jours, tome III.

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