FUTEBOLANDO – Falemos de futebol – por Carlos Loures

Já devem  ter reparado que evitamos o mais possível falar de futebol. É um fenómeno estranho, o da paixão que o futebol suscita – é possível um ateu e um crente dialogarem tranquilamente sobre a existência, ou não, de Deus; um marxista e um social-democrata podem calmamente conversar sobre a oportunidade de uma greve. Se o tema é o futebol numa óptica clubista, está o caldo entornado. Não há diálogo possível – das ironias passa-se à picardias, daqui às acusações – não tardam os insultos.

No Estrolabio, o blogue que antecedeu A Viagem dos Argonautas, e do qual transitou a quase totalidade dos colaboradores, tivemos uma rubrica semanal dedicada ao futebol – “Coisas doImagem1 Futebol” preenchida com crónicas de Carlos Godinho, dirigente da F.P.F., que tratava o tema com a propriedade de quem fala do que sabe. Por razões profissionais o nosso amigo Carlos Godinho deixou de poder assegurar a rubrica. Não tendo os conhecimentos na matéria de que o meu homónimo é possuidor, vou fazer uma abordagem substancialmente diferente – a face iluminada do desporto-rei, as grandes figuras, jogadores que pela sua projecção, deixaram de ser pertença exclusiva de um clube e são património nacional, ocasões em que futebol e cultura se cruzaram…

Sim, porque há palavras que se relacionam mal, que parecem não fazer parte de um mesmo idioma – futebol e democracia ou futebol e cultura. Sabendo-se do clima de corrupção que envolve o futebol, os negócios sujos que se fazem em torno das principais competições, entende-se o porquê desta incompatibilidade. A beleza do futebol torna-o um espectáculo de multidões; e a beleza atrai sempre os crápulas – traficar pessoas ou falsear resultados de jogos, montar redes de droga ou subornar árbitros – tudo faz parte do negócio. As claques, cavernícolas,fazem parte dessa face oculta. Neste espaço vai falar-se, sobretudo, da face iluminada do futebol.

Na próxima semana  começarei a falar sobre adeptos especiais – grandes figuras da cultura e da ciência, apaixonadas pela magia do futebol.

Ilustração – reprodução de um quadro de Dorindo Carvalho.

2 Comments

  1. Carlos
    Estou cheio de curiosidade, mas temendo que te tenhas metido em grandes trabalhos.
    Abraço
    António

    1. O Carlos Godinho estava por dentro, no coração do futebol. Vou fazer apreciações exteriores, na óptica do mero espectador e sem entrar no terreno minado da clubite. Não creio wue isso me meta em trabalhos. Obrigado, pelo cuidado. Um abraço.

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