Pentacórdio para Segunda-feira, 10 de Junho

por Rui Oliveira

 

 

 Nesta Segunda-feira, 10 de Junho  apenas dois acontecimentos se destacam, a nosso ver, do panorama cultural deste feriado nacional.

 

FESTAS13_EGEAC_peq 

   Um, ligado necessariamente à efeméride comemorada neste dia – a morte por peste e na miséria do mais célebre vate nacional, Luís Vaz de Camões – pode até ser subdividido em duas iniciativas de índole semelhante e até próximas no espaço, ambas integradas nas “Festas de Lisboa’13”.

 

imgs_site_785x247_maijun_10_1369328453

   No Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal será feita a leitura integral do poema “Os Lusíadas” numa iniciativa com entrada livre do actor e encenador António Fonseca.

   Entre as dez da manhã e as onze e meia da noite, numa maratona (como diz o programa) “em que se pode partir e chegar ao ritmo de cada um, celebramos essa torrencial metáfora da nossa condição de seres históricos: um punhado de homens que se lançam no espaço desconhecido por razões absolutamente contraditórias. Podemos imaginar: por ambição, por desespero, por aventura, por convicção, por necessidade, por inconsciência…”

   O Canto I às 10h, os outros em cada hora seguinte, até que às 22h30 o Canto X seja partilhado com dez actores: Almeno Gonçalves, Carlos Malvarez, João Vicente, Natália Luiza, Marta Dias,  Raquel Castro, Rita Durão, Sofia Marques, Tónan Quito e Vitor d’Andrade.

 

 

0001_M-1000x490

   Ali perto, no Largo de Camões, às 17h30, a iniciativa “Camões desce da Estátua” da «Associação Mares Navegados» tem como objectivo celebrar o Dia de Camões e homenagear a língua  portuguesa, património comum dos povos da CPLP.

   Camões será assim o anfitrião da tertúlia popular a realizar no seu Largo, de braço dado com a poesia, a música e o teatro, num espectáculo apresentado por Hélder Costa e com a participação, entre outros, de Francisco Fanhais, Celina Pereira, Couple Coffee e Carlos Mendes, «todos militantes da solidariedade entre as gentes que se entendem em português» (como se anunciam).

   Às 17h30 haverá animação de rua com artistas da Companhia de Teatro “A Barraca” e às 18h30, numa “Grande Feira da Palavra e da Música”, far-se-á a distribuição ao público de poemas dos oito países lusófonos, o qual será convidado para a leitura dos referidos versos.

   E por falar em estrofes alusivas, deixamo-vos com as do poeta nas “Rhitmas, 1595” :

                    “Foge-me, pouco a pouco, a curta vida,

                    Se por acaso é verdade que inda vivo;

                    (…) Choro pelo passado; e, enquanto falo,

                    Se me passam os dias passo a passo.

                    Vai-se-me, enfim, a idade e fica a pena.”

 

 

 ano-do-brasil-em-portugal14006240_400x225 - Copy

   O segundo evento corresponde ao encerramento do “Ano do Brasil em Portugal” que se fará nesta Segunda-feira, 10 de Junho, às 21h, no Teatro Nacional de São Carlos, com o espectáculo “Bethânia e as Palavras”, assim referido no seu site :

bethaniaeaspalavras_640x420   «Vem de muito tempo a ligação de Maria Bethânia com as palavras. Desde o colégio em Santo Amaro, quando o seu professor Nestor Oliveira a ensinou, assim como a seu irmão Caetano Veloso, a ouvir poesia … E é esta relação com as palavras que Bethânia vai mostrar, com leitura de poemas e textos escolhidos por ela, com os quais tem intimidade e que foram importantes para sua vida. Neste projecto, contou com a colaboração de Hermano Vianna e Elias Andreatto. Mesclando leitura e música, com canções pouco usuais no seu repertório, será acompanhada pelo violonista Paulinho Dafilin e pelo percussionista Carlos Cesar …

untitled   … No encerramento do Ano do Brasil em Portugal, Bethânia lerá poetas e escritores de todas as gerações (brasileiros, portugueses e africanos) : Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Ramos Rosa, Sophia de Mello Breyner Andersen, o moçambicano José Craveirinha, Padre António Vieira, Caetano Veloso, Fausto Fawcet, Ferreira Gullar, entre muitos outros, entremeados por trechos de conhecidas canções brasileiras e portuguesas como “ABC do Sertão” (Luiz Gonzaga), “Romaria” (Renato Teixeira), “Último Pau de Arara” (J. Guimarães/Venâncio/Corumbá), “Estranha Forma De Vida” (Amália Rodrigues), “Marinheiro Só” (domínio público/adaptação Caetano Veloso), “Dança da Solidão” (Paulinho da Viola) e “Menino de Jaçanã” (Luis Vieira/Arnaldo Passos).

   Este registo (emocionante) corresponde a um show semelhante que Maria Bethânia vem fazendo desde 2009 em Minas Gerais :

   E como brinde final, deixamo-vos o mais novo e longo DVD de Maria Bethânia (já de 2013) que contem imagens do show gravado em São Paulo, onde a cantora comemorou 40 anos de carreira (e que agradecemos ao YouTube). Além de canções imortais de Vinícius de Moraes, Bethânia recria os compositores mais marcantes de sua trajectória, como Chico Buarque ou Caetano Veloso, começando curiosamente por Clarisse Lispector (homenageada actualmente entre nós com exposição na Gulbenkian, a visitar até 23 de Junho !) :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui)

 

 

 

1 Comment

Leave a Reply