Fez-se silêncio. O café estava com muita clientela. Entrou uma senhora alta e forte com um cão pela trela.
O Professor ia bebendo a sua aguardente Brejoeira (Ai, que disse o nome!), o Pato sorvia o seu néctar de maracujá, o inspector mastigava mais um pastel de bacalhau, Filipe tomava apontamentos. O Oliveira perguntou se podia falar.
– Ó homem, desembuche! – o Pais continuava mal disposto.
O Oliveira, puxou de um papel. Pôs os óculos. Havia um clima de ansiedade. As conversas pararam em todas as mesas. O Oliveira tossiu e começou:
– Em nome da Frente de Libertação de Massamá… Desculpem, enganei-me no papel. Nova busca pelos bolsos. Tirou outro papel. – É este!: Em nome do Sindicato Nacional das Personagens de Blogo-Chachadas, decreto greve permanente e total – ou será total e permanente?
O inspector quase se engasgou:
– Greve? Mas a que título?
O Oliveira empertigou-se:
– A que título? Agora já precisamos de títulos para fazer greve?- virou-se para a clientela que enchia as outras mesas – Estão a ver isto?
Um tipo com veste de padre, disse:
– Ó Oliveira, pergunta aí na mesa dos carolas se o título de barão da caliça serve?
Filipe Marlove exclamou:
– Mas…mas é o pastor Franz Boagram, o pastor alemão…
De todas as mesas veio uma gargalhaaa unísona. Estavam ali todos – a Laura, o travesti Pedro Janelas, a mecânica Celeste segurando o velho Aristóteles pela trela…
O Professor bebeu mais um gole de Brejoeira e filosofou:
– Parece que vai tudo ser deslindado e podemos ir de férias.
O Oliveira deu uma casquinada tipo riso:
– Era o que faltava. As personagens estão em greve. Não se deslinda nada.
O inspector estava furioso e explodiu:
– Ó Pato, então tu não te impões? És o responsável pela rubrica, os leitores já estão fartos desta xaropada, nós queremos ir de férias…
O Pato respondeu:
– Bem, tenho uma proposta que é assim – Façam greve por hoje, pois o folhetim já está a exceder o número de linhas que está determinado. Na próxima semana, quem não se explicar, paciência… – O Oliveira pigarreou e ia responder- O Pato não permitiu – Se estão em greve não devem falar… Ou querem ser fura-greves? Para a semana poderão explicar o que quiserem- Por hoje, c’est fini.
