EDITORIAL – PASSOS COELHO QUER RECANDIDATAR-SE

Diário de Bordo - II

 

A questão da recandidatura de Passos Coelho é mais uma daquelas histórias que quase seria ridícula, se não fosse a grande tragédia que estamos a viver. Sem entrar por uma análise detalhada das suas convicções políticas, Passos Coelho tem mostrado  ser uma pessoa altamente impreparada para dirigir um país. É mesmo legítimo duvidar que tenha capacidade para exercer funções  directivas de menos responsabilidade do que estar no governo de um país qualquer. Basta recordar a questão da taxa única, ou as suas declarações sobre achar ser necessário empobrecer o país, ou quando deixou perceber as suas expectativas quanto à emigração, para ter uma opinião clara sobre a sua sensibilidade ou acerca das ideias que tem a respeito da maneira como  deve evoluir o nosso país.

Pode-se pensar em muitas atenuantes. O exercício vale a pena, até para se entender como uma pessoa assim chega aos comandos de um país. E há outros casos semelhantes, como o de José Sócrates ou o de Santana Lopes. Não é suficiente meditar sobre as insuficiências das máquinas partidárias. Estas existem, são grandes e deformam as políticas, é um facto. Contudo essas insuficiências das máquinas partidárias não conseguem explicar tudo. No PSD há obviamente pessoas melhor preparadas do que Passos Coelho, que não cometeriam tantos erros graves. Contudo, porque não avançam? A explicação está na estrutura social anquilosada do nosso país, e no ideário subjacente. A nossa história mostra-o bem.

Para além das más políticas, a continuação de Passos Coelho no governo, mesmo só até 2015, é muito má para o país. Mesmo no PSD, muita gente concorda com isto. Ele não compreendeu que um governante tem de demonstrar, em todos os passos que dá, uma grande identidade e uma grande solidariedade para com o seu país e para com os seus concidadãos. Ele tem-nos tratado como simples números. Gaspar, essa triste figura, não justifica tudo. Mesmo em Portugal, cujo povo está tão habituado a detestar os seus governantes, e, contraditoriamente, a ter uma paciência excessiva para com eles

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