POESIA NEGRA – por Fernando Correia da Silva

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Em 1953, em Lisboa, Francisco José Tenreiro e Mário Pinto de Andrade organizam e editam um Caderno de Poesia Negra de Expressão Portuguesa. Curiosamente, essa Caderno é dedicado a Nicolás Guillén. Porquê? Não tenho a certeza mas parece-me que foi por ter o cubano conseguido criar ritmos e sonoridades que infiltraram de negritude a língua castelhana. Portanto, bom exemplo para os africanos de língua portuguesa… 

Ó Mário Pinto de Andrade: entre os vários poemas reunidos no Caderno, escolho um teu  em que se evidencia o drama do negro submetido ao colonialismo, o “contratado” angolano para S. Tomé, drama que é preciso denunciar e expurgar.

CANÇÃO DE SALABU

 Nosso filho caçula

Mandaram-no pra S. Tomé

Não tinha documentos

Aiué!

Nosso filho chorou

Mamã enlouqueceu

Aiué!

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho partiu

Partiu no porão deles

Aiué!

Mandaram-no pra S. Tomé

Cortaram-lhe os cabelos

Não puderam amarrá-lo

Aiué!

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho está a pensar

Na sua terra, na sua casa

Mandaram-no trabalhar

Estão a mirá-lo, a mirá-lo

– Mamã, ele há-de voltar

Ah! A nossa sorte há-de virar

Aiué!

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho não voltou

A morte levou-o

Aiué!

Mandaram-no pra S. Tomé


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