ENCONTRAR NOVAS NECESSIDADES PARA OS CONSUMIDORES GASTAREM DINHEIRO – O “1STFONE” por clara castilho

9349741_b7nUl

“Parece um brinquedo, mas faz mesmo chamadas telefónicas”, é assim que é apresentado. A empresa OwnFone lançou o “ 1stFone” dirigido a crianças de quatro anos.  Custa 65 euros e foi lançado no Reino Unido.

Não tem acesso à internet e não pode enviar mensagens de texto, pois nem tem teclado. A principal característica é a personalização e a capacidade de limitar o número de pessoas que pode telefonar para o aparelho. Permite à sua criança falar com quem precisa. É vendido aos pais como “ Paz de espírito para si”! É personalizado, pode-se escolher o design e funções.

1stfone-2

Este assunto tem sido estudado em Portugal. Lembro os estudos de Kárita Francisco, na Universidade Nova de Lisboa, (http://conferencias.ulusofona.pt/index.php/sopcom_iberico/sopcom_iberico09/paper/viewFile/303/281) em chega a algumas conclusões comuns a outros, por ela referidos, realizados na Finlândia, por exemplo. Até aos 10 anos, o telemóvel é mais utilizado para jogar e para a criança poder estar em contacto com os pais. É a questão da segurança que leva os pais a darem o primeiro telemóvel aos filhos, muito novos.

Num artigo da revista Pais e Filhos (http://www.paisefilhos.pt/index.php/actualidade/noticias/6186?task=view&showall=1), Helena Fonseca, coordenadora do Núcleo de Medicina de Adolescentes do Hospital de Santa Maria, comenta: “Actualmente, no primeiro ciclo, já encontramos imensas crianças com telemóvel, o que é impressionante! Cada família deve definir bem qual é a idade em que pretende dar um telemóvel ao seu filho, independentemente das pressões que existam por parte da criança. A maioria das vezes a utilidade do telemóvel é nula”. No entanto reconhece: “Admito que possa haver situações pontuais, como doença ou razões geográficas, que o justificam, mas são exceções. Na minha opinião, as crianças não devem ter telemóvel antes dos 12 anos”.

 No mesmo artigo são referidos os resultados de um estudo Fórum da Criança 2009, em que 12% das crianças dos quatro aos seis anos já tem telemóvel. A percentagem sobe para os 55% entre os sete e os dez anos e atinge os 89% nas crianças de onze e doze.

Cristina Ponte investigadora da Universidade Nova de Lisboa e coordenadora em Portugal do projeto EU Kids Online, considera que “O telemóvel entrou tão rapidamente na vida das crianças porque os pais entenderam-no como uma forma de controlo dos filhos à distância. A possibilidade de monitorizar a criança faz com que os pais, que são tão resistentes a outras tecnologias, aqui facilitem”.

 Faz parte do sistema de quem quer fazer dinheiro, encontrar novas necessidades para os consumidores gastarem dinheiro. Estamos claramente perante um desses casos!

Leave a Reply