Pentacórdio para Sexta-feira, 14 de Junho

por Rui Oliveira

 

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   O espectáculo a destacar nesta Sexta-feira, 14 de Junho é quase seguramente a apresentação (com uma estreia) da canadiana Compagnie Marie Chouinard no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, com repetição no Sábado seguinte, 15 de Junho.

Marie_Chouinard 0   A partir do livro “Mouvements”, de Henri Michaux, poeta e pintor belga, em que o autor explora, ao longo de um poema de 15 páginas e 64 desenhos a tinta-da-china, a sua experiência interior, após consumo de mescalina, Marie Chouinard (foto) faz uma leitura em que descodifica as figuras multiformes de Michaux como se estas fossem apontamentos coreográficos. Os desenhos de Michaux são projectados em pano de fundo, dando assim a possibilidade aos espectadores de fazer simultaneamente uma leitura pessoal da composição do artista.Marie_Chouinard 2 Os bailarinos, vestidos de preto, dançam sobre uma superfície branca, fazendo eco da apresentação visual de cada página branca desenhada a preto.

   “Mouvements” será um bailado em 1 acto, com música de Louis Dufort, para 11 bailarinos : Paige Culley, Valeria Galluccio, Leon Kupferschmid, Lucy M.May, Mariusz Ostrowski, Sacha Ouellette-Deguire, Carol Prieur, Gérard Reyes, Dorotea Saykaly, James Viveiros e Megan Walbaum.

   Segue-se-lhe, em estreia mundial, o bailado “Gymnopédies” eMarie_Chouinard 3m 1 acto para 11 bailarinos (os mesmos do bailado anterior), de que a coreógrafa (Marie Chouinard) diz : «… em torno da forma do duo, enquanto que ao som do piano, os bailarinos, à vez, interpretam as gimnopédias de Érik Satie, trabalho o duo, a sua transfiguração, o alvoroço da beleza, a sua delicadeza ; seja embora o assunto aparente desta nova criação o duo, amoroso, erótico,o verdadeiro assunto é talvez o inesperado, o tempo, a dança em si mesma, o milagre de outro modo, a aparição do presente, o algures súbita e poderosamente aqui, enfim mais profundamente ainda, o assunto seria simplesmente a forma, a forma perturbadora e efémera que corresponderia ao pressentimento que me fez empreender este trabalho em torno do duo encontrar essa forma, dá-la aos espectadores …».

   Este vídeo duma representação de “Mouvements” em 2011 sugere o que se irá ver :

 

 

 

   À mesma hora, no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Calouste Gulbenkian,  o público normalmente afluente à Gulbenkian é de novo convidado, depois do enorme sucesso de “Vem cantar Jazz com o Coro Gulbenkian” e “Vem cantar Canções de Natal com o Coro Gulbenkian”, a cantar e a interagir com o Coro Gulbenkian??????????????????????????????? e com uma banda de jazz constituída por alguns dos mais conceituados músicos portugueses, num programa  inteiramente constituído por algumas das mais inesquecíveis canções de Gershwin como “Summertime”, “It’s’wonderful”, “Someone loves me” ou “I got rhythm”.

   O espectáculo repete-se no Sábado 14, à mesma hora.

   “Vem cantar Gershwin com o Coro Gulbenkian” conta, obviamente, com esta formação dirigida pelo maestro Jorge Matta e ainda, no palco, com os instrumentistas Bernardo Moreira (contrabaixo), Pedro Moreira (saxofone tenor), João Moreira (trompete), Óscar Graça (piano) e Bruno Pedroso (bateria).

   São inúmeras as interpretações corais com que rivalizar; sugerimos-lhe esta onde o tema da ópera “Porgy and Bess” é cantado pelo Coro Polifónico Universitário de La Laguna :

 

 

 

    Ainda no campo coral, quem se deslocar nesta Sexta-feira, 14 de Junho ao Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, às 23h30, ouvirá “Manuel Cintra canta(r) Barbara”.

Cartaz12411   Acompanhado por Paula Sousa (ao piano) e João Barradas (no acordeão), o actor e poeta Manuel Cintra justifica assim o seu recital : «… No início, foram estas canções. Foram talvez elas que primeiro me fizeram estremecer para as palavras, para a música, para o prazer da voz. Há algo na Barbara que sempre me tocou e me dirá sempre respeito. A primeira palavra que me vem à cabeça é paixão … Estamos numa época em que a paixão se tornou tão difícil que é quase ilegal. Vim a ser um actor que escreve poemas e gosta de cantar. Obcecado pela paixão. E estas canções, que trago comigo, são as sementes…».

   E cita o título duma canção de Barbara “Chaque fois qu’on parle d’amour, c’est avec jamais et toujours” que aproveito para reproduzir :

 

 

 

Ammiel3   Também na música, mas de entrada livre, há na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h desta Sexta-feira, 14 de Junho, um Recital de Piano pelo pianista israelita Ammiel Bushakevitz que irá interpretar de :

      Franz Schubert – Sonata para piano nº 18 em Sol maior, D. 894 (Op. 78)

      Richard Wagner Sonata para piano nº. 3 em Lá sustenido maior, “Für das Album von Mathilde Wesendonck”

      Franz Liszt Des années de pèlerinage ‐ Les cloches de Genève: Nocturne ‐ Canzonetta del Salvator Rosa ‐ Les jeux d’eaux à la Villa d’Este.

 

 

   Igualmente de entrada livre é o concerto final com que se encerra a masterclasse de clarineteclarinete%20baixo%20300 baixo com Ricardo Alves que a Escola Profissional Metropolitana promove como oportunidades de formação para os seus alunos, convidando solistas de renome.

   Será às 17h30 na Sede da Metropolitana na Travessa da Galé, nº 36.

 

 

   Quanto a música de jazz, abre nesta Sexta-feira, 14 de Junho, às 22h30, o Hot Clube de Portugal7130925_bp3mf, após o encerramento de alguns dias, para apresentar o projecto do saxofonista José Menezes intitulado “100 Umbrellas”, considerado uma viagem à música de Erik Satie.

   No palco estarão, além de José Menezes (saxofone tenor e direcção), Gonçalo Marques (trompete), Mário Delgado (guitarra), Carlos Barretto (contrabaixo) e José Salgueiro (bateria).

   A sessão é repetida no Sábado, 15 à mesma hora.

 

 

 

   Por último, há nesta Sexta-feira, 14 de Junho, às 19h, no Auditório do Institut Français de Portugal, uma conferência de Michel Pastoureau intitulada “História de uma cor: o Azul na Europa, da Antiguidade ao século XXI” de entrada livre.

Michel%20Pastoureau%20cartaz   Tal ocorre por ocasião da publicação do Catálogo dos Livros de Horas do Palácio Nacional de Mafra, um trabalho científico de Ana Lemos, que fará a tradução científica da palestra proferida em francês.

   Michel Pastoureau, é o grande especialista da simbólica das cores. “Prémio Médicis” para ensaio em 2010 com “Les couleurs de nos souvenirs”, é também historiador, medievalista e um especialista, igualmente, dos emblemas e da heráldica. Publicou posteriormente um catálogo de 350 fotografias , sob o título “Couleurs”, dando início a uma abordagem diferente da cor, por via da imagem, que dividiu em 6 partes: branco, encarnado, preto, verde, azul e amarelo.  A cada cor correspondem à volta de 50 fotografias, evocando-lhes os valores e significado.

  

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)

 

 

 

 

 

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