POESIA AO AMANHECER – 221 – por Manuel Simões

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ÁLVARO FEIJÓ

(1916 – 1941)

POEMA

Façam-se os alicerces da cidade do futuro

nas rotas que a metralha vai abrindo!

Erga-se a nova Torre de Babel dos homens

com os destroços deste mundo velho!

Que se confundam, numa só, as línguas,

como, na podridão, se confundiram

os cadáveres daqueles que vestiam

uniformes diferentes!

Que continue calma e silenciosa

a Terra de Ninguém,

por ser a Terra de todos!

Irmão, se o sacrifício se consuma,

Irmão, que o sacrifício se aproveite!

(de “Os Poemas de Álvaro Feijó”)

Tendo falecido muito jovem, tinha publicado apenas “Corsário” (1941). Na colecção “Novo Cancioneiro” saiu postumamente a colectânea “Os Poemas de Álvaro Feijó” (1941), ligando-o, a pleno título, ao movimento neo-realista.

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