Ouvimos dizer bastas vezes que no ano tal ou no seguinte iríamos poder voltar aos mercados. Outras vezes que daqui a um ano ou depois a economia voltaria a crescer. Agora dizem-nos que a austeridade está cá para ficar, com ar de quem não admite outra coisa. E todos dias martelam certas teclas: despedir funcionários públicos, cortar salários, reduzir pensões. Não é só em Portugal, nos outros países as soluções preconizadas são muito semelhantes. E são escolhidas em primeiro lugar por os alvos a atingir serem os mais fáceis e os mais rentáveis. Em segundo lugar, porque desestabilizam as estruturas que davam segurança ao comum das pessoas, isto é os serviços públicos de saúde, educação, segurança social.
Está comprovado que as tais soluções generalizadas não melhoram nem a economia nem a vida dos povos. Que o termo austeridade é um eufemismo, perdão, um disfarce, para empobrecimento e desorganização social. Mas o mais grave é que resultam directamente daquilo que se convencionou chamar globalização e de estratégias concebidas à escala mundial. Estratégias com objectivos muito particulares que procuram fazer-se passar junto da opinião como indispensáveis para a nossa salvação. E com efeitos espantosos, que se sentem na casa de cada um. Nas escolas portuguesas, no Rana Plaza, ou nas ilhas de lixo maiores que a França que flutuam no Pacífico.
Os oponentes a estas estratégias tem sido alvo de atenções especiais, nomeadamente quando ascendem a cargos de poder. A comunicação social só é considerada como “séria”, “livre” e “democrática” quando lhes obedece. Actuações como a do actual governo português, fiel seguidor da austeridade e um sério candidato ao lugar de pior do mundo, são justificadas pelos responsáveis daquelas estratégias (oiça-se Durão Barroso ou Olli Rehn), mesmo quando se procede à destruição do sistema do ensino público nacional, procurando lançar o odioso sobre os professores, aos quais não resta senão lutar, e duramente, para o bem deles e dos seus alunos.

