Pentacórdio para Quinta-feira, 20 de Junho

por Rui Oliveira

 

 

   Dois espectáculos teatrais (e alguns musicais…) caracterizam esta Quinta-feira, 20 de Julho onde volta a não haver nenhum evento de grande vulto.

 

 

680x255-timao_12315112234ffd2d635c927[2]

   Assim, estreia na Sala Garrett do Teatro Nacional Dª Maria II, às 21h, a peça “Timão de Atenas” de William Shakespeare, a qual permanecerá em palco até Domingo, 30 de Junho (excepto às Segundas e Terças).

00000361_0001_t   Esta versão dramatúrgica (segundo uma tradução de Yvette K. Centeno) tem a encenação do falecido Joaquim Benite (para o Teatro de Almada), actualmente com Rodrigo Francisco, cabendo a interpretação a Ana Cris, Alberto Quaresma, André Gomes, Celestino Silva, Ivo Alexandre, Jeff de Oliveira, Joana Francampos, João Farraia, Luís Vicente, Manuel Mendonça, Marques D’Arede, Miguel Martins, Paulo Matos e Pedro Walter.

   O cenário é de Jean-Guy Lecat, os figurinos de Sónia Benite, o desenho de luz de José Carlos Nascimento e os músicos são Nadine Braz e Rui Gonçalves.

   Diz o TNDMII sobre a peça : «Teatro eterno, encenado para a eternidade da tragédia humana, põe em cena o predador humano de qualquer tempo histórico, essencialmente movido pelos maus instintos de sempre. A peça evidencia o desconcerto do protagonista face à vileza dos homens. Na primeira parte, Timão convida vários amigos para um deslumbrante banquete, presenteando-os e deixando-se ofuscar pelos seus elogios e manifestações de gratidão. w620h395Quando toma consciência da penúria, a eles recorre para sanar as dívidas, deparando-se com recusas e recriminações amargas e mesmo humilhantes, restando a Timão a amizade leal de Flávio, seu criado, e as advertências avisadas de Apemanto, filósofo. Decidido a vingar-se, volta a convidar os amigos para novo banquete, servindo-lhes agora somente água e pedras».

   Composta na primeira década do século XVII, Shakespeare terá escrito Timão de Atenas com a colaboração do poeta e dramaturgo seu contemporâneo Thomas Middleton. Numa tradução de grande qualidade, assinada por Yvette Centeno, a peça teve estreia absoluta em Portugal em Dezembro de 2012 e foi a última encenação de Joaquim Benite, constituindo desse modo a sua criação testamentária.

 

 

 

   Também no Teatro Turim (Estrada de Benfica, nº 723) estreia nesta Quinta-feira, 20 de Junho (até Sábado, 22) a peça “Sala de Jantar” (The Dinning Room) de A.R. Gurney, com tradução e direcção de Mónica Leite.

   Nesta produção da Ilha D’Arte, a interpretação está cabo de Catarina Guimarães, António Oliveira, Ana Francisco, João Pedro Leal, Maria Ribeiro, Cristiana Fonseca, Vanessa Caçador, Paula Calhau, Soraya Lopes, Tiago Carvalho, Filomena Domingos e Lucinda Farrajota.Teatro-Turim-300x224

   A sinopse fornecida diz :

   «Tudo acontece na sala de jantar, onde a família se junta diariamente para tomar o pequeno almoço, para jantar e nas ocasiões especiais. A acção é um mosaico de cenas interligadas – algumas com graça, outras ternurentas, e outras lamentáveis – mas todas juntas criam no fundo um retrato de uma espécie em extinção: a classe média alta.

   Os actores trocam de papéis, de personalidades e idades com destreza enquanto representam uma enorme variedade de personagens, desde pequenos rapazes a avós, de raparigas que não conseguem controlar o riso a empregadas provenientes do interior do pais. Cada família introduz um novo conjunto de pessoas e acontecimentos −  um pai dá uma lição ao filho sobre gramática e politica, um rapaz regressa do colégio interno e descobre a infidelidade da sua mãe, uma avó senil não reconhece os próprios filhos durante o jantar de Natal, etc…».

 

 

 

   No campo musical, a actividade generosa dos Solistas da Metropolitana abrange dois espaços :

 

Jovens%20Solistas%20da%20Metropolitana

   Na sede da Academia das Ciências (Rua da Academia das Ciências, nº 19), às 18h, o Quinteto de Solistas da OML Rui Ferreira clarinete, César Nogueira violino, Marta Vieira violino, Joana Tavares viola e Sara Abreu violoncelo irá tocar de :

        Johannes BrahmsQuinteto com Clarinete em Si menor, Op. 115

   Não havendo registo deste jovens, deixamos-lhe uma das mais clássicas versões do mesmo por David Oistrakh (1º violino), Vladimir Sorokin (clarinete), Pyotr Bondarenko (2º violino), Mikhail Terian (viola) e Sviatoslav Knutshevisky (violoncelo) :

 

   Na Sociedade Portuguesa de Autores (Avenida Duque de Loulé, nº 31), às 18h30, diversos Solistas da OML irão interpretar  sucessivamente :

 

  1)  Sofia Simões piano e Alexei Eremine piano tocarão  de :

             Franz Schubert  –  Allegro em Lá menor, Op. 144, D. 947, “Lebenssturme”

 

  2)  Eva Mendonça flauta, Vera Duque violino e Paul Wakabayashi viola executarão de :

             Ludwig van Beethoven  –  Serenata, Op. 25

 

  3)  Ana Margarida Silva violino, Teresa Madeira violoncelo e Ricardo Vicente piano interpretarão de :

             Ludwig van Beethoven  –  Trio com Piano em Ré maior, Op. 70/1, “Fantasma”

 

 

 

   Noutras músicas, o Hot Clube dá início nesta Quinta-feira, 20 de Junho, às 22h30, à apresentação por 3 dias seguidos do Demian Cabaud Trio, composto por Demian Cabaud (contrabaixo), demian cabaudAlbert Bover (piano) e Marcos Cavaleiro (bateria), um novo projecto deste músico argentino, original e vanguardista, vindo dos EUA há já 9 anos.

capa1   Este grupo (segundo o Hot «um trio com uma narrativa madura e plena, disposto sempre a explorar e arriscar, donde resulta uma música fresca e desafiante») irá interpretar novas músicas que integram o próximo trabalho discográfico de Demian Cabaud “En Febrero” , que será editado pela “Fresh Sound Records” no próximo mês de Julho.

   Este registo (deficiente) em Outubro passado na Madeira sugere já a presente actuação do Demian Cabaud Trio, onde o músico catalão de prestígio internacional Albert Bover substituiu o argentino Ernesto Jodos no piano :

 

 

 

   É também música diferente aquela que se apresenta às 22h no Teatro do Bairro (Rua Luz Soriano, nº 63, ao Bairro Alto) na sua rubrica “As palavras têm fronteiras, mas a música, não”, através da presença da compositora e cantora anglo-norueguesaCarolineDawson_mic_e1 residente em Portugal Caroline Dawson que ali vai apresentar o seu novo álbum “Have you felt the change?”.

   Transportando-nos (segundo o T.Bairro) «numa viagem universal, embora cantada em inglês, com uma música dificilmente rotulável, … levando-os a lugares soturnamente belos», Caroline Dawson traz consigo os seus habituais companheiros musicais Hugo Reis no piano, teclados e guitarra eléctrica, Pedro Sousa no contrabaixo e André Mota na bateria.

   Um curioso vídeo “Monopoligamy”  da artista recentemente apresentado sugere bem o seu  estilo (para conhecer o tema “Have you felt the change?” título do seu próximo CD, clicar sff aqui ) :

 

 

 

   Por último, como conferência/debate, sugerimos a ida nesta Quinta-feira, 20 de Junho, ao “Bar das Ciências” do Institut Français de Portugal (IFP) onde, das 19h às 21h, se debaterá (em francês) a conferência de Xavier Capet, do Laboratório de Oceanografia e do Clima, Experimentações e Abordagem Numéricas (Universidade Pierre et Marie Curie, Paris) intitulada “Oceanos e actividades humanas no início do século XXI : olhar de um oceanografo”.Capet

   Antecipa o orador : «O Oceano é o ambiente onde a vida apareceu na Terra, nele habita ainda uma biodiversidade  amplamente desconhecida. A3_2O oceano também é o principal componente da hidrosfera terrestre  e contribui  de forma significativa para a regulação do clima. O seu estudo implica um grande número de conhecimentos e de disciplinas … Desde há algumas dezenas de anos que a oceanografia sofreu um forte desenvolvimento. Foram implementados vários meios de observação e de modelização para melhor se compreender o seu funcionamento e prever a sua evolução. Os mistérios do mundo marinho deixam pouco a pouco o seu espaço às incertezas das medidas e aos modelos oceânicos.

    A minha intervenção focar-se-á  sobre os dois temas multi-disciplinares  que ocupam vários oceanógrafos e que preocupam as nossas sociedades : o oceano como um elemento chave no sistema climático terrestre e a ecologia dos pequenos peixes pelágicos marinhos  (sardinhas …), geralmente encontrados, por exemplo, ao largo do Portugal … Discutiremos ainda a maneira como algumas destas interacções estão afectadas e/ou  alteradas pelas actividades humanas».

   O IFP elaborou o seguinte teaser para a conferência :

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui)

 

 

 

1 Comment

Leave a Reply