REVISITANDO “OS DIAS DA MADREDEUS” – (2) – por Álvaro José Ferreira

A Sombra (à memória de António Variações)

Letra e música: Pedro Ayres Magalhães

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1988)

[instrumental]

Anda pela noite só

Um capote errante, ai, ai

E uma sombra negra cai, em redor

Do homem no cais

Das ruas antigas vem

Um cantar distante ai, ai

E ninguém das casas sai, por temor

Dos passos no cais

Se eu cair ao mar, quem me salvará?

Lalalala…

Que eu não tenho amigos, quem é que será?

Lalalala…

Ai ó solidão, que não andas só!

Lalalala…

Anda lá à vontade, mas de mim tem dó!…

Lalalala…

Lalalala…

Cantar, sempre cantou

Jamais esteve ausente, ai, ai

E uma vela branca vai, por amor

Largar pela noite

Se eu cair ao mar, quem me salvará?

Lalalala…

Que eu não tenho amigos, quem é que será?

Lalalala…

Ai ó solidão, que não andas só!

Lalalala…

Anda lá à vontade, mas de mim tem dó!…

Lalalala…

Lalalala…

[instrumental]

As Montanhas

Música: Gabriel Gomes

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1988)

(instrumental)

A Vaca de Fogo

Letra: Pedro Ayres Magalhães

Música: Gabriel Gomes e Pedro Ayres Magalhães

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1988)

[instrumental]

À porta

Daquela igreja

Vai um grande corrupio

À porta

Daquela igreja

Vai um grande corrupio

Às voltas

Duma coisa velha

Reina grande confusão

Às voltas

Duma coisa velha

Reina grande confusão

Os putos

Já fogem dela

Deita o fogo a rebentar

Os putos

Já fogem dela

Deita o fogo a rebentar

Soltaram

Uma vaca em chamas

Com um homem a guiar

Soltaram

Uma vaca em chamas

Com um homem a guiar

São voltas

Ai amor são voltas

São as voltas

São as voltas da maralha

Ai são voltas

Ai amor são voltas

São as voltas da canalha

Ai são voltas

Sete voltas

São as voltas da maralha

Ai são voltas

Sete voltas

São as voltas da canalha

[instrumental]

À porta

Daquela igreja

Vive o ser tradicional

À porta

Daquela igreja

Vive o ser tradicional

Às voltas

Duma coisa velha

E não muda a condição

Às voltas

Duma coisa velha

E não muda a condição

À porta

Daquela igreja

Vai um grande corrupio

À porta

Daquela igreja

Vai um grande corrupio

Às voltas

Duma coisa velha

Reina grande confusão

Às voltas

Duma coisa velha

Reina grande confusão

São voltas

Ai amor são voltas

São as voltas

São as voltas da maralha

Ai são voltas

Ai amor são voltas

São as voltas da canalha

Ai são voltas

Sete voltas

São as voltas da maralha

Ai são voltas

Sete voltas

São as voltas da canalha

[instrumental]

A Estrada do Monte

Letra: Pedro Ayres Magalhães

Música: Rodrigo Leão e Pedro Ayres Magalhães

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987)

Não digas nada a ninguém

Que eu ando no mundo triste

A minha amada, que eu mais gostava,

Dançou, deixou-me da mão

Eu a dizer-lhe que a queria

Ela a dizer-me que não

E a passarada

Não se calava

Cantando esta canção

Sim, foi na estrada do monte

Perdi o teu grande amor

Sim, ali ao pé da fonte

Perdi o teu grande amor

Ai que tristeza que eu sinto

Fiquei no mundo tão só

E aquela fonte ficou manchada

Com tanto que se chorou

Se alguém aqui nunca teve

Uma razão p’ra chorar

Siga essa estrada

Não custa nada

Que eu fico aqui a cantar

Sim, foi na estrada do monte

Perdi o teu grande amor

Sim, ali ao pé da fonte

Perdi o teu grande amor

[vocalizos / instrumental]

A Península

Música: Rodrigo Leão, Pedro Ayres Magalhães e Gabriel Gomes

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1988)

(instrumental)

Adeus… e Nem Voltei

Letra e música: Pedro Ayres Magalhães

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1988)

[instrumental]

“Adeus” dissemos

E nada mais de então ficou;

De asas quebradas

Foi a ave branca que voou;

Voa lá alto, que eu morro, bem sei, sem voltar;

Cantem as aves do monte que eu fui ver o mar…

Ai, não sei de mim;

Ai, não sinto nada…

Ai, e nem voltei.

[instrumental]

Voa lá alto, que eu morro, bem sei, sem voltar;

Cantem as aves do monte que eu fui ver o mar…

Ai, não sei de mim;

Ai, não sinto nada…

Ai, e nem voltei.

A Cantiga do Campo

Poema: Gomes Leal (excerto) [texto integral >> abaixo]

Música: Rodrigo Leão e Pedro Ayres Magalhães

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1988)

[instrumental]

Porque andas tu mal comigo,

Ó minha doce trigueira?

Quem me dera ser o trigo

Que, andando, pisas na eira!

[instrumental]

Quando entre as mais raparigas

Vais cantando entre as searas,

Eu choro, ao ouvir-te as cantigas

Que cantas nas noites claras!

Por isso nada me medra,

Ando curvado e sombrio!

Quem me dera ser a pedra

Em que tu lavas no rio!

E falam com tristes vozes

Do teu amor singular

Àquela casa onde coses,

Com varanda para o mar.

Por isso nada me medra,

Ando curvado e sombrio!

Quem me dera ser a pedra

Em que tu lavas no rio!

Quem me dera ser a pedra

Em que tu lavas no rio!

Quem me dera ser a pedra

Em que tu lavas no rio!

[instrumental]

Quem me dera ser a pedra

Em que tu lavas no rio!

Quem me dera ser a pedra

Em que tu lavas no rio!

[instrumental]

CANTIGA DO CAMPO

(Gomes Leal, in “Claridades do Sul”, Lisboa: Braz Pinheiro, 1875; Lisboa: Assírio & Alvim, col. Obras Clássicas da Literatura Portuguesa – Século XIX, edição de José Carlos Seabra Pereira, 1998)

Como eu adoro as tuas “simplicidades”!

HEINE

Porque andas tu mal comigo,

Ó minha doce trigueira?

Quem me dera ser o trigo

Que, andando, pisas na eira!

Quando entre as mais raparigas

Vais cantando entre as searas,

Eu choro, ao ouvir-te as cantigas

Que cantas nas noites claras!

Os que andam na descamisa

Gabam a viola tua,

Que, às vezes, ouço na brisa

Pelos serenos da lua.

E falam com tristes vozes

Do teu amor singular

Àquela casa onde coses,

Com varanda para o mar.

Por isso nada me medra,

Ando curvado e sombrio!

Quem me dera ser a pedra

Em que tu lavas no rio!

E andar contigo, ó meu pomo,

Exposto às chuvas e aos sóis!

E uma noite morrer como

Se morrem os rouxinóis!

Morrer chorando, num choro

Que mais as mágoas consola,

Levando só o tesouro

Da nossa triste viola!

Porque andas tu mal comigo,

Ó minha doce trigueira?

Quem me dera ser o trigo

Que, andando, pisas na eira!

A Marcha da Oriental

Música: ?

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1988)

(instrumental)

Fado do Mindelo

Letra: António Jorge Pacheco e Pedro Ayres Magalhães

Música: Pedro Ayres Magalhães e Rodrigo Leão

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1988)

Mindelo, minh’alma chora

e eu estou triste

o amor demora

Mindelo, já não existe

minh’alma chora

e o mar assiste

Mindelo, o amor é isto

não tem demora

porque eu insisto

Mindelo, mar a bater

e o meu amor

anda a sofrer

Mindelo, conta comigo

que eu vivo e tudo

espera por mim

[instrumental]

Mindelo, mar a bater

e o meu amor

anda a sofrer

Mindelo, conta comigo

que eu vivo e tudo

espera por mim

[instrumental]

Mindelo, mar a bater

e o meu amor

anda a sofrer

Mindelo, conta comigo

que eu vivo e tudo

espera por mim

A Cidade

Letra: Francisco Menezes e Pedro Ayres Magalhães

Música: Pedro Ayres Magalhães e Rodrigo Leão

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1988)

[instrumental]

Esta saudade

Não tem idade

Não tem idade

Esta saudade

Esta saudade

Esta cidade

Não tem idade

Não tem idade

Ai, esta cidade

Ai, esta cidade

[instrumental]

Esta saudade

Não tem idade

Não tem idade

Esta saudade

Esta saudade

Esta cidade

Não tem idade

Não tem idade

Ai, esta cidade

Ai, esta cidade

[instrumental]

A Andorinha

Música: Pedro Ayres Magalhães

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1988)

(instrumental)

Amanhã

Letra: Pedro Ayres Magalhães

Música: Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão e Gabriel Gomes

Intérprete: Madredeus* (in 2LP “Os Dias da MadreDeus”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1988)

[instrumental]

A vida não me larga

O mundo não me foge

A estrada é grande e larga

E eu levo o albornoz

Caminho à luz do dia

Por campos e montanhas

E bebo a água fria

E a sede não me apanha

E o céu ali é lindo

Azul, e eu não resisto

Ao céu, ao céu profundo

Distante

E eu insisto

[instrumental]

Caminho à lua nova

Caminho à lua cheia

Caminho à lua nova

E a sede não me apanha

Caminho à lua nova

Caminho à lua cheia

Caminho à lua nova

E a sede não me apanha

E o céu ali é lindo

Azul, e eu não resisto

Ao céu, ao céu profundo

Distante

E eu insisto

[instrumental]

Amanhã

Amanhã

Amanhã

Amanhã

Amanhã

Amanhã

Amanhã

Amanhã

[instrumental]

* Madredeus:

Maria Teresa Salgueiro – voz

Pedro Ayres Magalhães – guitarra clássica

Rodrigo Leão Muñoz – teclados

Gabriel Gomes – acordeão

Francisco Ribeiro – violoncelo

Concepção de projecto – Pedro Ayres Magalhães e Rodrigo Leão

Produção artística e direcção dos arranjos – Pedro Ayres Magalhães

Assistência de produção na gravação – Pedro Bidarra de Almeida

Gravado na antiga igreja do convento de Xabregas / Teatro Ibérico, Lisboa, nos dias 28, 29 e 30 de Julho de 1987

Técnicos de gravação – Pedro Vasconcelos e Miguel Gonçalves

URL: http://anos80.no.sapo.pt/madredeus.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Madredeus

http://www.infopedia.pt/$madredeus

http://www.madredeus.pt/

http://www.facebook.com/MadredeusOfficial

http://www.myspace.com/madredeuspt

http://rubicat2.paginas.sapo.pt/index.html

http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/madredeus

http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=1618

http://www.lastfm.pt/music/Madredeus

Capa do livro “Madredeus: Um Futuro Maior”, de Jorge Pires (Temas & Debates, 1995)

Publicada por Álvaro José Ferreira à(s) 17:44


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