POESIA AO AMANHECER – 231 – por Manuel Simões

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PAPINIANO CARLOS

(1920 – 2012)

OS BARCOS DA AURORA

Voltaremos um dia,

meu amor.

Carregando as nuvens

na aurora.

Correremos na relva,

na areia,

no orvalho.

Seremos a estrada,

a poeira,

o girassol.

A seara, o horizonte,

a linguagem

surda dos peixes.

Crianças deslumbradas despenteando

à beira dos rios

os cabelos do sol.

Viajando no silêncio, abrindo as águas

e, em nós, confundindo

face e imagem,

flor e fruto.

Crianças nuas, meu amor,

carregando nos ombros

os barcos da aurora.

(de “Caminhemos serenos”)

Foi co-director de “Notícias do Bloqueio”. Publicou poemas dedicados a Moçambique (“Jornal de Notícias” e “Seara Nova”) e a Angola e Moçambique (“República”). Obra poética: “Esboço” (1942), “Estrada Nova” (1946), “Mãe Terra” (1949), “Caminhemos serenos” (1957), “Uma estrela viaja na cidade” (poema dramático, 1958).

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