POESIA AO AMANHECER – 232 – por Manuel Simões

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MARIA ALMIRA MEDINA

( 1920 )

O MENINO E A FLOR

(fragmento)

Era uma vez um menino

Era uma vez um papão

Era uma vez milhões de homens

cobertos de maldição…

(…)

A mentira anda na rua

passeia na praça  pública

puxa os cabelos às moças

faz caretas

piruetas

e trejeitos

grita

cospe nas estrelas

rasga o peito do menino

e arranca dele uma flor

que pisa a pés

que desfaz!

Senhores polícias

não deixem

violar um coração

algemem a violadora

apanhem a flor do chão!

Era uma vez um menino

Era uma vez um papão

Era uma vez milhões

de homens

cobertos de maldição…

(in “Notícias do Bloqueio”, 4, 1958)

Co-organizadora da Página Cultural do “Jornal de Sintra”. Colaborou em “Cadernos do Meio-Dia” e “Notícias do Bloqueio”, entre outras publicações. Obra poética: “Distância” (1944), “Madrugada” (1955), “Sem Moldura” (1996).

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