MARCO POLO – por Fernando Correia da Silva

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Itália, finais de 1298: os genoveses já dominam Veneza e Pisa.

Uma prisão em Génova, uma cela, dois cativos. Ambos de meia idade. O pisano Rustichello ouve as queixas do veneziano Marco Polo:

 –  Ah Messer Rustichello!… Em Catai * fui honrado como um nobre do país. Na Itália sou estrangeiro encarcerado. Eu, o favorito do Grande Kã… Ó sorte, ó sina, má fortuna a minha!

Explodiu. Logo se acalma. Acaba por sorrir, malícia:

 – Sabeis, Messer Rustichello, qual o costume dos chefes de família da província tártara de Gaindu? Ali, por gentileza, à noite cedem aos forasteiros ora uma irmã, ora uma filha, ora uma esposa… Kubilai Kã tentou acabar com tal costume. Não conseguiu. Por isso é que se torna demorada a travessia do Gaindu. Dias e dias sem ter fim. Melhor dizendo: noites e noites sem ter fim…

O pisano cai na gargalhada, gostou da história. Levanta-se do catre, passeia pela cela. É um amante das belas-letras. Outra vez convida Messer Marco Polo a deixá-lo escrever tais maravilhas. Em parceria, haveriam de produzir o mais belo dos livros de memórias. Certamente disputado por toda a gente, fortuna fácil…

Marco Polo hesita. Em Veneza contara as suas histórias para um público jovem e turbulento. Fora alcunhado de Messer Millione (Milhão), pois tudo o que ele contava era sempre aos milhões…

O pisano contra-argumenta: irreverências da mocidade, isso não conta! Importante é deixar testemunho de tantas maravilhas para as novas gerações.

– Além do mais reparai que, vós a contar e eu a escrever, será a forma de matar o tempo que nos sobra.

Marco Polo manda vir de Veneza os seus apontamentos.

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    (*) – China

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