“RAMA, O ELEFANTE AZUL”- UMA FELIZ PARCERIA ISABEL DA NÓBREGA E LEONOR PRAÇA por Clara Castilho

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Clara Castilho traz-nos hoje mais um livro infantil, um livro que foi muito lido por crianças de há mais de quatro décadas e que hoje continua a agradar; um livro escrito por uma excelente escritora e iluatrado por uma talentosa artista plástica, falamos de…

“Rama, o elefante azul” é um livro já antigo (1970), de Isabel da Nóbrega, ilustrado por Leonor Praça. Costumo utiliza-lo com crianças em diversos contextos. Elas adoram-no. Quando este livro apareceu ao público português, com suas belas ilustrações foi uma surpresa, pelo seu novo ar fresco, pela sua invasão de cores a que não estávamos muito habituados. Sua ilustradora, Leonor Praça morreu muito nova, muito perdemos com isso.Imagem1

Ilustrou livros para Alves Redol, A flor vai pescar num bote (1968) e A flor vai ver o mar (1968), para Isabel da Nóbrega, Rama o Elefante azul(1971) e A cigarra e as formigas (1972), para António Torrado, o Veado Florido, para Manuel Ferreira.  A Maria Bé e o finório Zé Tomé (Plátano, 1974). Falemos de RAMA O ELEFANTE AZUL, que nos conta uma história de emancipação infantil, de assumir responsabilidades, de ser capaz de agir sem a presença dos pais, de se preocupar com os outros e a natureza.

Era uma vez um elefante muito pequeno que vivia muito contente na floresta com o pai e com a mãe.
Depois os pais tiveram de ir fazer uma viagem, a uma outra floresta, lá para o Norte, e despediram-se do filho, Rama, entregando-lhe uma pilha de recomendações e conselhos.
Passaram muitos dias, Rama ia crescendo, às vezes usava os conselhos dos pais, outras tinha de decidir ele próprio os seus actos, e assim se ia fazendo um bonito elefante e um bicho adulto. Os animais seus vizinhos e até alguns da sua família tinham muito boa opinião a seu respeito, mas Rama não se chegava a nenhum deles e queria descobrir tudo sózinho, sem indicações de ninguém.
Os dias continuavam a passar. Rama tratava da sua vida, procurava alimento, renovava a erva que se chamava capim e que era a sua caminha, para que fosse sempre fofa e passeava, passeava, porque queria descobrir o mundo.
Mas um dia, de repente, sentiu uma grande tristeza. Dos seus pequenos olhos de elefante rolaram oito lágrimas. Acabara de descobrir uma coisa muito triste e para a qual parecia não haver solução. É que ele fazia mal sem querer! Destruía sem querer! Ele que tanto gostava de ajudar os outros animais, afinal, só pela simples razão de existir, prejudicava outros seres vivos. […]

E com a ajuda de outros animais vem a perceber que não era bem assim, a encontrar soluções e a enfrentar o mundo, conformado com o seu ser.

Um livro que as crianças adoram porque lhes permite arranjar forças para ousar separarem-se e para ousar enfrentar as tristezas.

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