A ILHA DOS NÁUFRAGOS, de Louis Even – 10 – Fábula que permite compreender o mistério do dinheiro

10. A benevolência do banqueiro

Martinho adivinha o que lhe querem dizer, mas não se desconcerta e mostra-lhes boa cara na mesma. O impulsivo Francisco, sem perder tempo, apresenta o caso:Imagem1

– Como poderemos nós pagar 1080 dólares quando apenas há 1000 dólares em circulação?

– É o juro meus caros senhores – responde o banqueiro. E pergunta – O papel-moeda não aumentou a vossa produção?

– Sim aumentou, mas o dinheiro não aumentou. Ora é precisamente o dinheiro aquilo que o senhor reclama e não os produtos. Como é que o senhor, a única pessoa que pode fazer dinheiro, pondo mil dólares em circulação, nos pede agora 1080. Isso é impossível!

– Um momento meus senhores, os banqueiros adaptam-se sempre às condições, para o bem estar público… Eu vou pedir-vos unicamente o pagamento dos juros. Nada mais do que 80 dólares. O capital continuará em vosso poder.

– Quer dizer que nos perdoa a dívida?

– Não. Lamento, mas um banqueiro nunca perdoa uma dívida. Ficam a dever-me ainda todo o dinheiro emprestado. Mas não tendes de me reembolsar senão do juro anual. Não vos exigirei o pagamento do capital. Alguns de vós, poderão vir a ser incapazes de pagar mesmo os juros, uma vez que o dinheiro sai de uns para os outros. Organizai-vos como nação e criai um sistema de colecta, de contribuição. Quer isto dizer, taxar. Aplicareis impostos mais elevados aos que tiverem mais dinheiro e menos aos outros. Contanto que me tragam colectivamente o total dos juros, ficarei satisfeito. E a vossa nação prosperará.

Os cinco retiram-se calmos, mas pensativos.

Amanhã: O êxtase de Martinho.

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