SER POETA – 6 -por Álvaro José Ferreira

Poema do Lavrador de Palavras aos Políticos

Poema e música: Pedro Barroso

Intérprete: Pedro Barroso* (in CD “Criticamente”, Lusogram, 1999)

[instrumental]

Não me perguntem coisas daquelas que eu não creia

não me perguntem coisas daquelas que não sei

remeto para os senhores as decisões do mundo

tais como governar, fazer decretos-lei

no meio da tempestade no meio das sapiências

se poeta nasci, poeta morrerei

nem homem de gravata nem homem de ciências

apenas de mim próprio, e pouco, serei rei

das decisões do mundo lerei o que entender

que dentro de mim mesmo às vezes nasce um rio

e é esse desafio que nunca hei-de esquecer

e é essa a diferença que faz este feitio

mas digam por favor de onde nasce o Sol

que eu basta-me o calor – para lá me voltarei

e saibam já agora que se eu lavrar a terra

me bastará que chova que o resto eu o farei

e digam por favor se o dia amanhecer

e bastará o azul que em ave me tornei

[instrumental]

mantenham com cuidado as árvores e estradas

p’ra a gente poder ver, p’ra a gente circular

que eu basta-me saúde e o sonho tão distante

e a boca perturbante que tu me sabes dar

e a festa de viver e o gozo e a paisagem

nesta curva do Tejo, soprando a brisa leve

e na tranquilidade assim desta viagem

parasse o tempo aqui, eterno, fresco e breve

que eu voo por toda a parte mas noutro horizonte

e vivo as coisas simples e rio-me da ambição

e ao fim de tanto ver, escolherei um monte

de onde assistirei, sorrindo, ao vosso enfarte

da ânsia de possuir, da ânsia de mostrar,

da ânsia da importância, da ânsia de mandar

mas digam por favor de onde nasce o Sol

que eu basta-me o calor – para lá me voltarei

e saibam já agora que se eu lavrar a terra

me bastará que chova que o resto eu o farei

e digam por favor se o dia amanheceu

e bastará o azul que em ave me tornei

[instrumental]

mas digam por favor de onde nasce o Sol

que eu basta-me o calor – para lá me voltarei

e saibam já agora que se eu lavrar a terra

me bastará que chova que o resto eu o farei

e digam por favor se o dia amanheceu

e bastará o azul que em ave me tornei

* [Créditos gerais do disco:]

Pedro Barroso – voz, piano, viola, adufe, harmónica, teclados

Nuno Fernandes – tuba

Luís Sá Pessoa – violoncelo e arranjos para corda

Carlos Dâmaso – guitarra portuguesa, flautas, bandolim

Nuno Barroso – piano, teclados

Jorge Nascimento – piano, acordeão, teclados

Arranjos – Pedro Barroso e todos os músicos

Produção, coordenação e direcção musical – Pedro Barroso

Gravado nos Estúdios Quinta da Voz, Casal da Raposa – Riachos

Técnicos de som – Carlos Dâmaso e António Silva

 

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