POESIA AO AMANHECER – 239 – por Manuel Simões

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SEBASTIÃO DA GAMA

( 1924 – 1952 )

A COMPANHEIRA

Não te busquei, não te pedi: vieste.

E desde que eu nasci houve mil coisas

que a meus olhos se deram com igual

simplicidade: o Sol, a manhã de hoje,

essa flor que é tão grácil que a não quero,

o milagre das fontes pelo estio…

Vieste (o Sol veio também, a flor,

a manhã de hoje, as águas…). Alegria,

mas calada alegria, mas serena,

entendimento puro, natural

encontro, natural como a chegada

do Sol, da flor, das águas, da manhã,

de ti, que eu não buscara nem pedira.

E o Amor? E o Amor? E o Amor?

-: Vieste.

(de “Campo Aberto”)

Autorde um famoso “Diário”, onde inscreveu a sua experiência pedagógica como professor do ensino técnico. Conhecido como o poeta da Arrábida, publicou: “Serra-Mãe” (1945), “Cabo da Boa Esperança” (1947), “Campo Aberto” (1951). “Pelo Sonho é que vamos” (1953) foi publicado postumamente.

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