EDITORIAL: E CONTUDO ELE MOVE-SE

Imagem2Cavaco Silva não será o sol que nos ilumina, nem a Terra que Galileu percebeu muito bem que se movia. A sua actuação como presidente da República tem sido de tal ordem que deu azo a acusações de inércia e de indiferença perante as dificuldades a que portugueses têm estado sujeitos. Contudo, agora parece que se moveu; isto é, tomou algumas decisões. É pena é que tenha sido mais do mesmo.  E só por causa das diabruras de Portas.

Desde que Portugal aderiu à União Europeia que se adivinhava que íamos chegar a esta situação: os nossos governantes, aqueles que nós elegemos, não passam de uma espécie de delegados das entidades europeias. A participação no euro e o episódio da troika vieram, claro, agravar a situação, e apressar a nossa situação de dependência. A solução preconizada por Cavaco Silva, sob uma aparência de equilíbrio entre a estabilidade e a democracia, vai no mesmo sentido. Por um lado, consolidar uma aliança entre os signatários da troika, por outro dar a entender que afinal acha que a vontade do povo é importante.

Claro que esta proposta de Cavaco não passa de um remendo para manter o navio no mesmo rumo, o da subjugação do nosso país às elites financeiras e aos burocratas de Bruxelas. E à preponderância da Alemanha. Uma análise, mesmo superficial, da política europeia, deixa-o entender claramente. A aliança PSD/CDS/PS tem ainda outro objectivo que é enfraquecer o último, que se vai dividir entre partidários da coligação, e os que se lhe opõem. Tudo ganhos para o PSD. Para o CDS vamos a ver. As eleições em 2014, melhor dito, em Junho de 2014, ficarão muito longe, e poderão ser travadas em conjunto com as eleições para o parlamento europeu, que têm um certo valor simbólico, mas que só poderiam eventualmente trazer alterações significativas, se houvesse uma grande vitória da esquerda por toda a Europa, o que parece difícil. E Junho de 2014 ainda vem longe, para Cavaco, Passos e sus muchachos.

Para nós é que cada dia é mais difícil. Prisioneiros da dívida impagável e irrevogável (no sentido do dicionário, não do Portas), à beira de novo resgate, que talvez venha disfarçado de auxílio, mas para ser pago com juros, com muita força, com a economia cada vez mais deprimida, temos de urgentemente pagar outro caminho que não o de Cavaco/Passos/Portas, com ou sem Seguro.

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