A CHINALEMANHA, OU COMO OS ALEMÃES – COMO QUEM NÃO QUER A COISA – LARGAM A EUROPA

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

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Nestes últimos tempos, entre a China e a Alemanha, é “chabadabada”, “ar de apaixonados” e “doces beijos”. As disputas entre o Império do Meio e a União Europeia sobre questões comerciais continuammas os chineses têmmuito cuidado empoupar os alemães.

 As zangas comerciais entre aChina e aUE sobre a questão do sector fotovoltaico acabam de sofrer enésimo sobressalto . Beijing com efeito acaba de anunciar asua decisão de implementar um imposto anti-dumping, a partir de hoje, contrauma substância química das nossas terras: a toluidina. O imposto aduaneiro deste produto será de36,9%, para todas as empresas europeias. Todas … excepto uma. LANXESS, um produtor alemão, beneficiará de um taxazinha à medida : 19,6%. Razão invocada? Nenhuma.

 A China preserva a Alemanha. Um exacto retorno do elevador, uma vez que a Alemanhacuida daChina. Devemo-nos lembrar da suaoposição à decisão de Bruxelas de taxar ospainéis solareschineses, decisão qualificada de “erro grave” pelo ministro alemão da economia, Philipp Rösler.Com efeito sobre esta decisão, o ministro afirmou:

“A Alemanha sempre claramente disse que nós, o governo, somos a favor do diálogo e não do confronto “, disse àtelevisão alemã ARD. O objectivo deve sero de ” evitar em todos os casos uma guerra comercial, que se estenderia a muitos sectores para lá do sector daenergia fotovoltaica”

 Porquê, tanto amor?

 Primeiro, porque “quemse assemelha é quem se junta”, como dizem as nossas avós. De acordo com Jean-Michel Quatrepoint, que explica em Mourir pour le Yuan, os dois países têm muitos pontos em comum: modelos económicossimilares, feitos de um mercantilismo agressivo, apostando tudo nasexportações e sobrea acumulação de excedentes, visandoprincipalmente contornar uma rápida tendência para o envelhecimento das duas populações.

 Além das semelhanças, há uma complementaridade entre os dois países, uma quase ‘simbiose’, conforme oexplicamHans Kundnani e Jonas Pereira-Plesner. China A China está em pleno desenvolvimento e é extremamente ávida de máquinas-ferramentas alemãse dos automóveis de luxopara as suas novas classes médias. Quanto à Alemanha, estaprocura com energia… mercados fora daEuropa.

 A este respeito, os números são cruéis. Duval Guillaume aqui os lembra: ‘ o excedentecomercial alemão foi 170mil milhões em 2007,sendo três quartos feitos na zona euro . Em 2012, este excedente foi sempre 180 mil milhões, mas três quartos fora agora obtidos forada zona euro. E Jean-Michel Quatrepoint acrescentou: ” A Alemanha nãoespera tirar maisda Europa, aí já conseguiu o máximo possível. Ela apanhou todas asquotas que havia para ganhar e pretende agorareorientar-se parafora da zona euro. “

 Fora da zona euro? Fino! Nós que pensávamos carinhosamente  que Angela Merkel, Rainha da Europa em título, estava afazertudo para salvar a referida zona, colocando abundantemente a sua mão na sua carteira . Será que nos mentiram?

 Fora da zonaeuro, no entanto. Na China, país que a ex-atual-futura Chanceler visita frequentemente e durante muito tempo. N8ijos EUA, também. Não o esqueçamos, a Alemanha é em conjunto com aInglaterra, um dos países que está a promovercom mais entusiasmo a futura parceria comercialtransatlântica, a TTIP.

 Um par que levanta suspeitas, Hans Kundnani e Jonas Pereira-Plesner ousam mesmo dizerem:”há o perigo de que a Alemanha utilizeesta estreita relação bilateral [com a China] para defender os seus interesses económicos, em vez dos interesses estratégicoseuropeus. “

 A Alemanha armada em “cavaleiro sozinho”deixando’a Europa-é-paz’ e a ‘ não confundível “parelha França-Alemanha’ unicamente com a finalidade deaumentar o seu comércio? Como isto é banale é pessimista!

 E, como é evidente, ao mesmo tempo…

Texto disponível em :blog de Coralie Delaume. L’arène nue,cujo endereço é : http://l-arene-nue.blogspot.pt/, com o título:

La Chinallemagne, ou comment les Allemands – l’air de rien – lâchent l’Europe,

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