POESIA AO AMANHECER – 241 – por Manuel Simões

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MÁRIO CESARINY DE VASCONCELOS

( 1924 – 2006)

MÁGICA (fragmento)

É uma estrada no céu silenciosa

um anão sem ninguém que o suspeite

é um braço pregado a uma rosa

um mamilo escorrendo leite

Sáo edénicos anjos expulsos

sonhando quietude e distância

são homens marcados nos pulsos

é uma secreta elegância

São velhos demónios ociosos

fitando o céu bailando ao vento

são gritos rápidos, nervosos

que destroem todo o pensamento

É o frio deserto marinho

operando na escuridão

é o corpo que geme sozinho

é a veia que é coração

(…)

É uma estrada no céu silenciosa

por um domingo extenso e plácio

é um anoitecer cor-de-rosa

um ar inocente, ácido

(de “Manual de Prestidigitação”)

Promotor da formação do “Grupo Surrealista”, foi co-autor (com António Maria Lisboa) do manifesto “Afixação Proibida”. Organizou a “Antologia do Cadáver Esquisito” (1961) e “Surrealismo e Abjeccionismo” (1963). De entre a sua obra poética destacam-se os títulos: “Corpo Visível” (1950), “Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos” (1953), “Manual de Prestidigitação” (1956), “Pena Capital” (1957), “A Cidade Queimada” (1966), “Burlescas, teóricas e sentimentais” (1972).

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