A ILHA DOS NÁUFRAGOS, de Louis Even –17 – Fábula que permite compreender o mistério do dinheiro

 

17. O dinheiro, simples abstracção contabilística

Tomás, junto dos quatro companheiros, assume o papel de professor:Imagem1

– Aqui está o que poderíamos ter feito sem o banqueiro, sem ouro, sem assinar qualquer declaração de dívida. Abro uma conta em nome de cada de cada um de nós. À direita, a coluna do crédito, onde se lança o que se acrescenta à conta; à esquerda, os débitos, aquilo que se subtrai. Vamos começar com 200 dólares, ou seja, de comum acordo vamos lançar 200 dólares a crédito na conta de cada um. Cada um de nós fica com 200 dólares na conta.

O Francisco compra artigos a Paulo por 10 dólares. Tiro 10 dólares da conta do Francisco, restam-lhe 190 dólares. Na conta do Paulo ponho 10 dólares – ele tem agora 210 dólares. O Tiago faz compras a Paulo no valor de 8 dólares. Retiro 8 dólares da sua conta, fica com um saldo positivo de 192 dólares. A conta de Paulo aumenta para 218. Paulo compra madeira ao Francisco no valor de 15 dólares. Tiro 15 dólares da conta do Paulo, que fica com 203 dólares, e adiciono-os na conta do Francisco, que sobe para 205 dólares.

E assim sucessivamente; duma conta para outra, como se as notas fossem de um bolso pa outro.

Se um de nós tiver necessidade de dinheiro para aumentar a sua produção, abre-se-lhe um crédito do valor necessário, sem juros. Ele reembolsa o crédito uma vez a produção vendida. Mesma coisa para os trabalhos públicos. Aumenta-se assim, periodicamente, as contas de cada um com uma soma adicional, sem nada tirar a ninguem. Em correspodência ao progresso social, subirá o dividendo nacional. O dinheiro transforma-se deste modo num instrumento de utilidade social.

Amanhã – O desespero do banqueiro

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