Este artigo foi, com a devida vénia e com a autorização do autor, transcrito do Jornal Fraternizar.
Dentro da presente ordem mundial do Dinheiro, não há salvação = seres humanos sororais, maieuticamente afectivos, vasos comunicantes. Tão pouco, planeta terra, hoje, ameaçado, cada dia que passa, de acelerada extinção. A todos os instantes, estamos a ser descriados, reduzidos a coisas, objectos, mercadorias. Atirados, a todos os instantes, para a humilhante e absurda condição de empobrecidos/miseráveis, por força de cruel e sádica decisão de idolátricos sistemas económicos e políticos, impostos aos seres humanos, às populações e aos povos das nações, sem que elas, eles, sejam tidas e achadas, tidos e achados. É a intolerável ditadura do Dinheiro, o único Deus que esta presente Ordem mundial crê e cultua, sem olhar à quantidade de vítimas humanas e outras que diariamente têm de lhe ser sacrificadas, para ela se aguentar; uma Ordem mundial com tudo de devorador Moloch à escala planetária e cósmica. De modo que os ateísmos e os cristianismos com que esta presente Ordem mundial orgulhosamente se apresenta, ao nível, respectivamente, das suas cúpulas laicas e seculares, eclesiásticas e sacerdotais, mais não são, um e outro, do que o disfarce de toda a idolatria do Dinheiro que ela pratica.
Nunca essas cúpulas laicas e seculares, eclesiásticas e sacerdotais, lhe chamarão idolatria. Desconhecem que, por trás das leis e das regras do Mercado, como das leis e das regras eclesiásticas dos cristianismos e demais religiões, está sempre presente uma teologia, ou referência última a um Deus que, hoje, veste simultaneamente de ateu/agnóstico e de cristão eclesiástico/religioso, e se disfarça, respectivamente, de leis e de regras do Mercado, de cânones do Código de Direito Canónico e de Catecismo da Igreja Católica. Só que uma tal postura, acima e contra os seres humanos, as populações e os povos, sem nunca parar para atender ao número de vítimas humanas e outras que produz a cada instante, é pura idolatria. Nunca, em circunstância alguma, os seres humanos, as populações e os povos, podem ser sacrificadas, sacrificados às leis e às regras do Mercado, às leis e aos cânones das igrejas cristãs e das demais religiões. Sempre as leis e as regras do Mercado, assim como as leis cristãs eclesiásticas e religiosas ou canónicas têm de ser para os seres humanos, as populações e os povos, nunca os seres humanos, as populações e os povos, para as leis e as regras do Mercado, as leis cristãs eclesiásticas e religiosas ou canónicas. Caso contrário, têm de ser deitadas, deitados fora, como prejudiciais, por mais sagradas, sagrados que se digam.
A salvação dos seres humanos, das populações e dos povos só acontece fora desta presente Ordem mundial, nunca dentro dela. Este é um primeiro princípio que nem sequer precisa de ser provado. Integra a Sabedoria que nos caracteriza como seres humanos. Nos antípodas do Saber, científico que se diga, que anda sempre aliado ao Poder e por isso é descriador, mesmo quando realiza maravilhas de encher o olho e que redundam sempre em outras tantas armas de destruição maciça, o cume da insanidade mental, da demência, da crueldade. A Sabedoria, é o universo dos afectos e das emoções, da Política praticada e da Economia vasos comunicantes. E são os afectos e as emoções, a Política praticada e a Economia vasos comunicantes, que nos fazem crescer de dentro para fora em humano, por isso, sororais, maieuticamente afectivos, vasos comunicantes, numa palavra, salvos.
Só com Jesus, o Ser Humano por antonomásia, que nunca quis ser cristão, muito menos, o mítico Cristo/Messias/Poder invicto, os seres humanos, as populações e os povos puderam ver toda a crueza e todo o perverso dos sistemas económicos, políticos, religiosos. De modo que Jesus, o seu projecto económico político, as suas práticas económicas e políticas maiêuticas e os seus duelos teológicos desarmados, são a única pedra angular de um outro tipo de mundo, bem à medida dos seres humanos, das populações e dos povos deste início do terceiro milénio. Temos de morrer para o presente tipo de mundo que se mantém à custa de milhões e milhões de empobrecidos/miseráveis e outras vítimas de toda a ordem, para nascermos da mesma Ruah/Sopro maiêutico de Jesus, que nos faz seres humanos sororais, maieuticamente afectivos, vasos comunicantes. Definitivamente salvos!
