EDITORIAL: O MAL DOS OUTROS

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Parece que aqui ao lado, no reino espanhol, as coisas também não vão bem. Ao que tudo, ou, pelo menos, quase tudo indica, o primeiro-ministro Mariano Rajoy terá mesmo recebido às escondidas dinheiro entrado no seu PP de forma ilegal.  E consta que terá sido uma maquia muito jeitosa. A oposição já reclama abertamente a sua demissão e pede novas eleições. Se os problemas da família real espanhola, pelo menos no curto prazo, não afectaram muito a vida política, com este caso não se passará o mesmo, com certeza. Apesar de Rajoy negar veementemente as acusações de ter recebido dinheiro sujo (terá usado a expressão “dinheiro negro”), será muito difícil convencer as autoridades judiciais e o público em geral de que fala verdade.

Há dois anos atrás, Karl-Theodor zu Guttenberg, ministro da defesa alemão, pediu a demissão por se ter demonstrado que plagiou uma tese. O caso já está praticamente esquecido. O caso Rajoy promete vir a dar que falar, e ficar na história. Mas dirão: a corrupção não é igual em todo o lado? Claro que é, a situação dos países é que é muito diferente. Num país em situação de crise, particularmente em situação de crise financeira, situações de corrupção tornam-se particularmente odiosas. Entretanto, se em Portugal o caso dos submarinos, o dos sobreiros, o do Freeport, o intitulado Face Oculta, o BPN,  têm sido, de uma maneira ou outra passados para segundo plano, para não dizer que mergulharam na penumbra, em Espanha o caso de Bárcenas, ex-tesoureiro do PP, e das suas revelações, pelo que se tem visto, não vai cair no esquecimento.

Será de prever um aumento da instabilidade política no vizinho do lado. Mas deve-se felicitá-lo por, embora com tantas dificuldades, os casos de corrupção serem levados avante e não serem metidos na gaveta, e a culpa não morrer solteira. Os dislates a que assistimos todos os dias na cena política nacional não terão fim, nem sequer abrandarão, enquanto não for aceite o princípio da responsabilidade por todos, a começar pelos que têm mais poder e a função de tomar decisões em nome dos portugueses. A reforma e a retoma têm de começar por aí. De preferência com outro governo, que este não tem conserto.

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