POESIA AO AMANHECER – 243 – por Manuel Simões

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VÍTOR MATOS E SÁ

( 1927 – 1975 )

PARA A CONSTRUÇÃO DA MULHER

5 (fragmento)

Para ti as aragens doiradas dos poemas:

versos como ar livre que atravessasse teu corpo!

Para ti o mar, a mão puríssima, mão contínua, a mão irreal,

segurando a espuma secular das viagens,

a imaterial espuma dos ventos,

eco de teu corpo anterior, ainda só

os regatos puros dos sentidos, branco movimento

de uma livre nebulosa sem sentido!

(…)

Para ti as aldeias inocentes das rosas,

e o peito do céu respirando brandas aves

e os regatos dos risos infantis, sem outra fome

que os sonhos!

Para ti as marés dos braços alegres dos homens,

dos futuros beijos límpidos das gargalhadas dos homens,

libertando rios frescos de teus ombros,

e dos prados de olhares o entardecer à janela da paz

com teu sorriso lento tacteando recordações…

(de “Horizonte dos Dias”)

Foi considerado pela crítica como poeta “metafísico”. Obra poética: “Horizonte dos Dias” (1952), “O Silêncio e o Tempo” (1956),”O Amor Vigilante” (1962).

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