FRANCINE FLEURY-JEAN CLAUDE RODET, UM CASAL FRANCÊS EM GREVE DE FOME a reclamar JUSTIÇA ao Pe. João da ECOSERVIS – por Mário de Oliveira

Aqui partilho o meu Testemunho presbiteral, depois da visita ao Casal em Lamarosa, Torres Novas

 O meu primeiro dia de férias foi para me encontrar com o Casal Francine Fleury e Jean Claude Rodet, ele, em greve de fome total, ela, em jejum, desde 30 de Junho 2013, e a residir na casa de um outro casal já meu conhecido e amigo de há muitos anos, Rosa e Leonel, aguerridos militantes na JOC, primeiro, e na LOC, depois, residentes em Lamarosa, Torres Novas, Diocese de Santarém. Viajei de comboio até ao Entroncamento, onde já me esperava o Leonel que me transportou até sua casa. Soube da situação por um email recebido, poucos dias antes, e enviado pela própria Francine e ao qual respondi de imediato.

 Francine e Jean Claude são franceses com formação superior, que integram a conhecida Associação humanitária internacional “Médicos Pés-descalços”. Vieram do Canadá, onde viviam como emigrantes, para Portugal, aliciados pelo Pe. João de Brito, presidente da fundação Ecoservis, com sede em Pé de Cão, com o objectivo de desenvolverem um projecto de agricultura biológica e medicina alternativa, ao abrigo da Fundação. No dizer do Pe. João de Brito, nascido nos Açores, ex-religioso e, há já bastantes anos, presbítero incardinado na Diocese de Santarém, teriam garantidos, casa, transporte, e salário condizente. Só que o dizer do Pe. João de Brito nunca chegou a ser escrito e assinado pelas partes. Mas para o casal, o facto do presidente da Fundação ser padre era uma garantia ainda maior que um qualquer contrato escrito e assinado e, por isso, os dois nem sequer hesitaram em trazer com eles tudo o que tinham no Canadá, inclusive os 11 mil livros, despachados, às próprias custas, em três contentores. Não muito tempo depois de terem começado a actividade, em precárias condições e não nas condições que lhes haviam sido garantidas, de viva voz pelo Pe. João, tudo se desmoronou. Até da desconfortável casa da fundação tiveram de sair e viram-se na condição de quase pés-descalços e de abandono total, a necessitar da ajuda de terceiros, para não morrerem de fome.

 A sua vinda havia sido anunciada pelo Pe. João como uma mais-valia para a Fundação, dados os currículos de Jean Claude e de Francine, mas o casal em si, mulher e homem concretos, depressa deixou de interessar ao Pe. João. Deu sempre mais valor aos seus currículos, certamente, para os poder exibir, sempre que for oportuno, como uma mais valia da Fundação. Perante esta situação de total abandono, por parte do Pe. João, presidente da Fundação, o Casal ludibriado e abandonado decidiu avançar para uma greve de fome, até que seja feita justiça. Não sem antes comunicar por escrito ao Pe. João esta sua decisão. Esgotado o prazo de oito dias + dois dias, que lhe deram, para que fosse encontrada uma justa solução, e como esta não chegou, pelo contrário, chegaram insultos e outras coisas indignas de um ser humano, capaz de um mínimo de respeito pelos direitos dos outros seres humanos, o Casal iniciou, como último recurso, a greve. Que ainda prossegue, já com Jean Claude visivelmente debilitado e bastantes quilos de peso perdidos. Passa, por isso, a maior parte do dia, estendido sobre o colchão da cama.

 A minha deslocação até junto o Casal em greve de fome foi precedida de uma troca de emails com o Bispo da Diocese de Santarém, Manuel Pelino, de quem sou amigo, desde os tempos em que ele foi Bispo Auxiliar do Porto, e nos quais já eu admitia esta minha decisão que agora acaba de se concretizar. Aos meus emails, respondeu-me o Vigário Geral da Diocese, Pe. Aníbal Vieira. Esclareceu que a Fundação em causa é apenas do foro civil, não canónica. Como tal, responsabiliza apenas o Pe. João, seu fundador e presidente vitalício, não a diocese, enquanto tal. Ontem, já junto do casal em greve de fome, tomei a liberdade de telefonar directamente para o Bispo de Santarém. Ao secretário que me atendeu, manifestei o meu desejo de me encontrar pessoalmente com o Bispo, para o abraçar e falar cara a cara sobre o assunto. Não consegui que me recebesse – invocou motivos de agenda, como se não estivéssemos perante uma situação de emergência, com duas vidas humanas em risco, como, de facto, se está – mas consegui que, pelo menos, conversasse uns minutos comigo ao telefone. Foi uma conversa curta, mas o bastante para deixar claro que o caso acabará sempre por sujar o nome da Igreja, já que está envolvido um padre incardinado na diocese e que, embora não seja pároco e a Fundação não seja canónica, continua a presidir a celebrações na paróquia e a substituir com frequência o respectivo pároco, nos poucos dias em que, como presidente da fundação Ecoservis, não anda pelo estrangeiro, a fazer não se sabe bem o quê. Aproveitei também para informar, em primeira mão, o Senhor Bispo, de que, pouco depois da minha chegada junto do Casal em greve de fome, chegaram também dois repórteres da RTP 1, pelo que o caso vai atingir, a partir de agora, dimensões de escândalo nacional, sem que ninguém, entretanto, consiga chegar à fala com o Pe. João, já que, nestas horas cruciais, para se esclarecerem os factos, ele nunca está na Fundação e, se está, manda dizer que não está. Deu para perceber que o Bispo ficou deveras preocupado com o que lhe disse. E mais preocupado terá ficado, quando acrescentei que não só a RTP 1 esteve presente, mas também a GNR veio tomar conta da ocorrência e admite haver claros indícios de crime. E não só a GNR. Veio igualmente uma enfermeira do Centro de Saúde avaliar os possíveis danos que a greve de fome e o jejum podem estar já a causar ao casal.

 O absurdo em tudo isto é que o Presidente da Fundação, pelo facto de ser padre e “dar” “consultas” na herbanária da Fundação, é olhado por muitos incautos e crédulos, como o milagreiro ali do sítio e, desse modo, o dinheiro escorrega em grandes quantidades para dentro da Fundação que assim acumula dinheiro sobre dinheiro e património sobre património. Administradores da Fundação, também os há, não se sabe quantos, apenas que são bastantes, uma espécie de múltiplos vice-presidentes, porque ao Pe. João, ninguém lhe tira o lugar de presidente. O negócio, legal ou ilegal, não se sabe com clareza, tem tudo para ser altamente rentável. E o pior é que o muito que se diz à boca pequena por lá e por muitas outras pessoas ludibriadas e abandonadas que já passaram pela Ecoservis, acerca dos comportamentos do Padre empresário não abona nada a favor dele, nem da Diocese de Santarém onde está canonicamente incardinado.

 Mas tudo isso já não é objecto deste meu testemunho. É do foro da Polícia Judiciária e dos Tribunais. E terão muito que fazer, sobretudo a Polícia Judiciária. Porque por baixo da batina do padre presidente da fundação Ecoservis (o nome até é bonito, mas só o nome!) pode andar muita coisa suja que ela ajuda a lavar e a transubstanciar. Quem tem poder para mudar uma hóstia de farinha de trigo sem fermento em corpo de cristo e o vinho do cálice de ouro ou de prata em sangue de cristo, também tem poder para fazer muitas outras coisas tão ou mais ignóbeis e obscenas que aquelas. Que para isso servem as vestes e os poderes dos clérigos, como deixou bem claro o recente escândalo da pedofilia dos ditos. Investiguem, ao fundo, sem se deixarem corromper pelos “poderes” do Pe. João e depois digam-nos o que descobriram. Agir rapidamente e em profundidade, é preciso.

 Resta-me acrescentar, por fim, que antes de regressar ao comboio, que, à tardinha, me trouxe de novo ao Porto, depois de muitas horas de fortes emoções e de partilha de afectos com os dois casais, respectivamente Francine-Jean Claude e Rosa-Leonel, ainda deu para eu perceber, por uma informação chegada via email ao correio do Casal em greve de fome, que, da parte da fundação Ecoservis, começa, finalmente, a haver uma manifestação de chegarem depressa a um acordo justo. Uma postura, de todo inaudita, já que até à minha chegada junto do Casal em greve de fome e da minha conversa telefónica com o Bispo, a partir da casa onde o Casal se encontra, a fundação sempre tem dito e escrito que não tem nada a ver com o assunto, uma vez que o Casal é que quis vir para a Fundação trabalhar como “voluntário”!!! Pois bem. Apesar de já ser tarde demais, que se faça justiça. Justiça plenamente justa! E, na medida possível, reparem-se todos os danos físicos e morais causados a este Casal que deixou tudo por uma causa que tinha como maior e que depressa percebeu que mais não é do que um pesadelo. E que pesadelo! Simultaneamente, investigue-se tudo, mas tudo, o que a batina do Pe. João milagreiro e com “poderes” tem escondido todos estes anos. Inclusive, sejam chamados a depor quantas, quantos, desde o início da fundação, acreditaram nas palavras do Pe. João e, depois, se viram ludibriados, escandalizados e abandonados por ele. E que nunca foram capazes de o denunciar, até para não “denegrirem” o bom nome da Igreja! Como se pudesse haver bom nome com encobrimentos deste jaez!…

 Quanto a Vós, meus queridos Companheiros e irmãos de caminhada, Francine Fleury-Jean Claude Rodet e Ana-Leonel, benditos sejais pela vossa pureza, pela vossa entrega, pela vossa não-violência activa, pela vossa luta desarmada, pela vossa ternura. Sabei que regressei de junto de Vós, ainda mais como um menino e muito mais confirmado como presbítero da Igreja do Porto. Também muito mais confirmado na mesma Fé de Jesus, a única que dá sentido humano sororal às nossas vidas na história e nos leva, não aos templos e aos altares, mas aos seres humanos, vítimas dos templos e dos altares e de todo o tipo de Poder religioso, político e financeiro, sempre intrinsecamente perverso, mentiroso e assassino. Dou-Vos o meu colo presbiteral.

https://www.facebook.com/Denunciarecoservis?fref=ts

1 Comment

  1. Devo a vida de meu pai a sabedoria e intervencao desinteressada do sr. Padre joao. Todas as estorias tem dois lados.nao podendo avaliar aqui mais que um, e lamentavel a situacao mas as acusacoes subrepticias parecem tendenciosas . Cumprimentos

Leave a Reply