A CANETA MÁGICA – AS MORNAS DE EUGÉNIO TAVARES

Associando o nosso blogue à campanha de integração da morna no Património Imaterial da Humanidade, prossigo esta publicação de alguns apontamentos (que vou adequando e actualizando) sobre a literatura de Cabo Verde e a ligação entre a evolução literária e a criação de mornas. Hoje é chegada a altura de falar da figura tutelar da cultura cabo-verdiana – Em Cabo Verde, poesia, literatura e morna são rios que vão desaguar  a um nome – Eugénio Tavares.

Antes de Eugénio Tavares ter desencadeado a sua acção cultural e política, não existia entre os intelectuais cabo-verdianos uma consciência clara sobre o carácter genuíno da cultura autóctone. Natural da Brava e descendente de europeus, foi talvez o primeiro a reivindicar para o Arquipélago uma cultura diferenciada e a uma identidade cultural própria. Naturalmente que este corte do cordão umbilical que ligava a cultura cabo-verdiana à da metrópole, tinha implicações políticas e a campanha de consciencialização da cabo-verdianidade  acarretou inevitavelmente perseguições por parte do poder colonial, obrigando Eugénio Tavares a exilar-se.

Agora que a literatura do arquipélago se afirma como uma das mais pujantes do universo lusófono, com nomes como o do romancista Germano Almeida, como o do grande Daniel Filipe, e o de Arménio Vieira, Prémio Camões de 2009, não devemos esquecer Eugénio Tavares, pioneiro das letras de Cabo Verde. E com a morna, universalizada por Cesária Évora, Bana, Celina Pereira, Gardénia Barros, Tito Paris e tantos outros, não esqueçamos as mornas de que Eugénio Tavares foi autor.

Aqui deixo uma das suas mais belas composições – Força di cretcheu executada pelo guitarrista clássico português Silvestre Fonseca. Vinda da assistência ouve-se a linda voz de Celina Pereira, a impulsionadora da campanha para integração da morna na lista da UNESCO

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