POESIA AO AMANHECER – 248 – por Manuel Simões

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   VASCO COSTA MARQUES

              (1928 – 2006 )

ÚLTIMO POEMA DO AMOR AUSENTE

Todo o corpo lhes dói de acertar os relógios

De momento a momento às vantagens do tempo

Meu amor meu amor tem por vezes o gosto

Do veneno sorvido ao desabar das pontes

A mais frágil aragem os confunde

O espaço aberto enreda-lhes os passos

O convívio da vida esboroa as palavras

A liberdade é um peso enorme nos seus ombros

«Tudo quando perdi na violência do tempo

Veio hoje até mim como o espinho da flor

Como o operário morto entre o ferro e o cimento

Da construção do amor

Foi um lento e incógnito perfume

Foi um lago sem margens intransposto

Foi uma pedra vermelha de lume

O mais belo sorrir de desgosto»

(de “Poesia dos Dias Úteis”)

Foi colaborador das revistas “Vértice” (1ª série) e “Seara Nova”, e de “Notícias do Bloqueio”. Obra poética: “Trânsito Proibido” (1950), “Poesia dos Dias Úteis” (1956), “Mundo Possível” (1961), “Um Beco no Espaço”(1970), “Venham de lá esses Ossos” (2002), “Algumas Trovas de Haver o Mar e um Post Scriptum” (2003).

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