A PROPÓSITO DE “A ILHA DOS NÁUFRAGOS” – por Louis Even

Sob o signo da abundância

Prefácio do autor

Este livro fala de Crédito Social, mas está longe de ser uma defesa apenas e absoluta do Crédito Social . O Crédito Social, na verdade, é todaImagem1 uma orientação da civilização e tem a ver tanto com o aspecto  social,  político e  cultural ou até mais do que com as questões económicas. Acreditamos mesmo, com Douglas – a quem o   mundo deve esta luminosa  doutrina  – que uma recuperação económica no sentido de Crédito Social, é impossível sem uma recuperação política prévia.

 Neste volume, no entanto, excepto algumas reflexões incidentais sobre o efeito da política de um sistema financeiro desregulado e  autoritário, nós limitaremos o  nosso  estudo económico e monetário às propostas monetárias  do Crédito  Social

O título do livro – sob o Signo da Abundância –  exprime bem  que há  uma economia de abundância, de acesso facilitado ao enorme potencial de produção moderna.

A velha economia poderia estar  “sob o signo de ouro” ou de quaisquer outros metais raros quando o objecto da produção em si muitas vezes faltava. Mas era estar aignorar o progresso e ofender a lógica se quiséssemos manter  um instrumento relacionado com a escassez para conferir  títulos a uma produção mecanizada .

Na primeira parte deste volume, lembram-se conceitos essenciais e muito simples, que todos aceitam sem qualquer dificuldade mas que são quase completamente ignorados no corpo económico actual. Os fins deixam de comandar os meios. Um breve estudo do sistema monetário demonstra que o dinheiro governa lá onde exactamente ele deveria apenas estar a servir. É aqui apresentado como remédio o conjunto de  propostas do Crédito Social, de que  iremos descrever as suas grandes linhas  sem entrar em desenvolvimentos sobre os  métodos de aplicação. O problema, acreditamos, não é tanto o de  desenvolver uma técnica de funcionamento  do que fazer aceitar propostas que parecem ao mesmo tempo muito simples e muito ousadas para os espíritos habituados a perder  de vista os fins e a enredarem-se na   complexidade dos meios. Além disso, alguns capítulos presentes são na sua maior parte como um fundamento da justificação da doutrina social de crédito.

Ao oferecer este  livro ao público, temos especialmente em vista o leitor médio. Mesmo tratando com assuntos específicos, evitaremos os  termos técnicos, mais aptos a fatigar do que a esclarecer . Tivemos como objectivo escrever de modo a ser facilmente compreendido pela maioria: é aliás o espírito de uma economia de abundância ao serviço de todos e de cada um.

Montréal, 1 de Maio de  1946.

LOUIS EVEN        

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