Perguntaram-me outro dia se os formadores e os professores devem ser colonizadores ou revolucionários?
Ainda antes de eu me ter pronunciado perguntaram mais o seguinte:
Como qualquer colonizador deverão formar gente para ser submissa, obediente, servil, zelar para que a pedagogia não se desvie da ideologia dominante, do esquema instituído?
Ou para assumir uma atitude crítica, para fomentar a consciência da contradição, da insubmissão, que tenha autonomia e participe na construção de outra maneira de conceber as coisas?
Será mais importante a pedagogia do colonizador ou do revolucionário?
Pensamos que a pedagogia é importante demais, para que se possa aprisionar .
Admite-se que a formação da pessoa, possa conseguir-se através da utilização de meios que o eduquem ou que lhe permitam educar-se, construindo o participante, neste último caso, por si só a sua personalidade, não só através do apreendido na escola, mas também na família, na televisão e na internet e da sua interação com o ambiente que o rodeia.
Mas identificar o que rodeia o participante, tem o seu quê de problemático. Muitas vezes para que se tenha acesso àquilo que se convencionou que é o real, é necessário ir além das aparências, ir atrás das máscaras e das ilusões, sendo importante que ele tome consciência disso.
Assim as funções de quem ensina, não parecem coadunar-se com o ser colonizador ou revolucionário, pois ele deve constituir-se como facilitador de um processo que permita ao indivíduo construir a sua própria personalidade.
Assim em vez de utilizarem “conhecimentos mastigados”, os formadores e professores devem estimular o espírito de iniciativa, e proporcionar as condições que encorajem os participantes a encontrar as suas respostas. Para que tenham acesso à dignidade, à capacidade de intervenção e de crítica e a não se resignarem com a ideia de estarem simplesmente no mundo. .


Tanto uns como os outros impõem as suas ideias. E de facto, o importante é levar a pensar e estimular, e não só dar conhecimentos. Se assim for, cada um fará deles o que quiser mas já pela sua cabeça e não em carneirada ou em permanente agitação que em si, não contem reflexão.