EDITORIAL – FAZER O QUE HÁ A FAZER

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Lê-se no El País Semanal de 28 de Julho, a resposta  da catalã Ada Colau ao jornalista Mikel López Iturriaga que lhe pergunta como é que os seus próximos encaram a sua militância e a do seu companheiro contra os despejos e os maus políticos: ninguém duvida que estamos a fazer o que há a fazer. Ada Colau é talvez a activista mais famosa do reino espanhol, desenvolvendo a sua acção na PAH – Plataforma de Afectados por la Hipoteca, tendo conseguido deter centenas de hipotecas, ajudado a resolver um número considerável de outras situações, ajudado a promover uma iniciativa legislativa popular e dar visibilidade e consistência à causa do direito à habitação.

Para Ada Colau é sem dúvida um privilégio estar rodeada de pessoas que acreditam no que ela está a fazer. Ada trabalha no Observatório de Direitos Económicos, Sociais e Culturais, o que lhe dá sem dúvida uma base sólida para o seu activismo. Pelo que diz não parece que esteja fascinada pela fama e não é com certeza um caso único. Há com certeza milhares de mulheres e homens como ela por todo o reino. E também os há em Portugal, mas são menos conhecidos.

Os cínicos dirão que Passos Coelho ou Maria Luís Albuquerque também acham que estão a fazer o que há a fazer. Quantos aos seus próximos, há notícias de que alguns já exprimiram dúvidas a esse respeito. Não é por acaso; a maioria dos portugueses já percebeu que eles não governam para agradar ou defender o povo português, simplesmente alguns ainda não interiorizaram o princípio básico de que os governantes estão lá para servir o povo, e não o contrário. Outros sentem isso, mas julgam que não há possibilidades de governar o país sem servir os alemães ou outra casta superior qualquer. Felizmente que há pessoas como Ada Colau que não pensam assim. Cá também há, mas a grande imprensa e a comunicação social em geral não lhes prestam atenção significativa. Porque será?

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