POESIA AO AMANHECER – 265 – por Manuel Simões carlosloures14 de Agosto de 201313 de Agosto de 2013Geral, Literatura Navegação de artigos PreviousNext M. S. LOURENÇO ( 1936 – 2009 ) A VIA SIMPLES Enquanto eu bebo a respiração dum fruto o tempo chama-me, pelo rio. Eras uma fonte, no interior, e procuro agora as tuas espáduas: no apelo destes pássaros, no fogo das acácias, no sangue, que, pelas noites, me devoras. Ah! Eu respiro! Tudo respira neste fruto. As palavras levantam-me as pálpebras e os teus pulsos sopram-me as têmporas. Agora desço já, abaixo, ao Inconciliável: encontro uma rosa, o humor feminino, um sarcófago. Sim, tu és uma ânfora silenciosa e mastigo-te como procuro a ligeireza do meu amor no mundo incerto da sintaxe. Da sintaxe! E agora tudo respira suavemente enquanto me alimento do teu sangue e dos teus ossos de âmbar. Respiro a tua voz exangue. (de “O desequilibrista”) Poeta e ensaísta de matriz filosófica. Foi igualmente teórico da Poesia Experimental. Obra poética: “O desequilibrista” (1960), “Arte Combinatória” (1971), “Pássaro Paradípsico” (1979), “Os Degraus de Parnaso” (1991), “O Caminho dos Pisões” (2009). Share this: Share on Facebook (Opens in new window) Facebook Share on X (Opens in new window) X Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Email a link to a friend (Opens in new window) Email More Print (Opens in new window) Print Like this:Like Loading...