EDITORIAL – ELEIÇÕES E MANIPULAÇÕES

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Em tempo de eleições há sempre histórias para contar. Muita gente queixa-se, com razão, de que, a maior parte das vezes, das eleições que se vão realizando, um pouco por toda a parte, poucas melhoras reais resultam para os eleitores que foram às urnas, e, obviamente, igualmente poucas melhoras sobrevêm para os que ficam em casa, e não quiseram ter a maçada de ir votar. Mas o facto é que há sempre histórias curiosas, até por que aquela insegurança que, aparentemente, resulta de uma possibilidade, mesmo que remota, de apeamento de quem está no poder, obriga os candidatos, quer já tenham experiência de poder, quer não, a exporem-se, e a incorrerem em situações curiosas.

Entre nós, há dias, o Senhor Fernando Ruas, ainda Presidente da Câmara Municipal de Viseu, foi acusado de distribuir dinheiro em missas. Vejam em:

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=3380880

Os outros candidatos não gostaram, e fizeram os seus comentários. Não será exagero reconhecer que com razão. Mas o Senhor Ruas replicou dizendo que estava a fazer este ano o mesmo que em outros anos anteriores. Portanto, acha ele, este ano, lá por haver eleições, não haveria razões para proceder de maneira diferente dos outros anos.

O Senhor Ruas acha que ir em pessoa a cerimónias religiosas distribuir benesses é um procedimento adequado. Fá-lo obviamente com o acordo da entidade promotora da cerimónia. Para os seguidores da religião em questão fica a imagem de que a entidade representada pelo Senhor Ruas estará bem entregue. E que o melhor será ele continuar na posição, ou então outro como ele. Questão: o Senhor Ruas, este ano, ao ir à missa atribuir benesses, estava ou não estava a fazer algo equiparável a campanha eleitoral? E nos anos anteriores, não estaria também a fazê-la?

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