A Viagem dos Argonautas vai comemorar o dia da independência do Brasil com uma edição especial que começaremos ainda no dia 6 e só terminará no dia 8 de Setembro. Amamos a cultura brasileira, a música, a poesia e a literatura em geral. Sentimos orgulho pelos êxitos brasileiros. Mas, não esquecendo alguns preconceitos que entre alguns portugueses existem sobre o Brasil e os brasileiros, lamentamos as estúpidas «piadas de português» –
Leiam estas:
Piadas de Português – Você acha que português é burro ? Acha mesmo ? Pois você deveria é ter certeza ! Leia as piadas a seguir e tire suas próprias conclusões, ora pois !
– Por que o português não toma leite gelado ? Porque a vaca não cabe na geladeira; Como você descobre que a padaria do português foi informatizada ? Ele irá usar um mouse atrás da orelha; O que o português disse quando viu uma casca de banana no chão ? Ai, Jesus, vou ter que cair de novo !; Por que a água da piscina do português é preta ? Porque ele esquece de tirar a caneta da orelha antes de mergulhar; Por que o português coloca um balde de gelo em cima do videocassete ?;Para congelar a imagem;Qual é a diferença entre o português burro e o português inteligente ? Na escola, quando o professor escreve na lousa, o português burro copia, e quando o professor apaga, ele apaga também. Já o português inteligente não escreve nada porque sabe que vai ter que apagar depois; Qual a diferença do vinho português para os outros vinhos europeus ? Em baixo da garrafa vem escrito: “a rolha é do outro lado”…
Ou esta, mais “elaborada”:
Notícia encontrada no Diário Lisboeta: EXTRA! EXTRA! AVIãO CAI EM LISBOA LISBOA – Ontem por volta das 7 da manhã caiu um boeing 737 nos arredores de Lisboa, mais precisamente sobre o cemitério Nossa Sra de Coimbra. Não se sabe ao certo o número de mortos mas já foram encontrados os corpos de mais de 2500 vítimas!!!
Claro que tudo é inventado – nunca caiu um Boeing nos arredores de Lisboa, não há nenhum cemitério com o nome indicado… Muito bem é uma anedota ou uma piada, mas onde é que está a graça? A única ilação a tirar é a da imbecilidade de quem criou a piada. Há uns anos atrás, uma actriz brasileira de telenovela fez um programa para a TV Globo onde explorava o filão da proverbial burrice dos portugueses – era uma actriz apreciada pelo nosso público, mas o primarismo das piadas tornou-a antipática. Mas tratou-se só de uma actriz. Grave foi quando Collor de Mello na visita de Estado que fez a Portugal em 1990, em pleno jantar oficial, resolveu contar uma “piada de português”.
Claro que há portugueses burros e uma parte apreciável dessa estirpe está no actual executivo governamental. Mas descrever Portugal como uma padaria, povoada por Manuéis e Joaquins, não revela grande inteligência. Quando a estupidez de ambos os lados se distrai, acontecem coisas como esta – Paulo Autran recitando Ricardo Reis de forma superior
ou João Villaret declamando Jorge de Lima
Nem sempre somos burros. E quando não o somos, o espaço para piadas tontas ou para alguns preconceitos xenófobos, fica muito reduzido.

Não resisto a contar uma que o extraordinário José de Vasconcelos contava (ouvindo-o a contar tem muito mais piada):
Dois portugueses amigos que vivem no Brasil encontram-se e diz um para o outro:
– Eh pá estás bom? Há tempo que não te via. E esta mania que os brasileiros têm agora de que todo o português se chama Manuel ou Joaquim, Joaquim ou Manuel.
– Pois é parece que têm mesmo essa mania: Joaquim ou Manuel, Manuel ou Joaquim. Não é assim Joaquim?
– Pois é mesmo Manuel!
Algumas anedotas têm graça e não é isso que está em causa. O pior é a transposição para o plano da realidade do pressuposto da lusitana burrice. Uma história verídica – Uma jovem brasileira, imigrada e trabalhando num gabinete de projectos em Lisboa, após ter defendido com êxito a sua dissertação de doutoramento no IST, telefona para o pai e dá-lhe a notícia. Resposta – «Minha filha, doutorado feito em Portugal não tem valor. Você não sabe que português é burro?» Não são as anedotas que preocupam, mas sim o seu reflexo na realidade (ou serem reflexo da realidade).